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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


31
Jan15

Tive cancro, e agora?

por Inês P Queiroz

Esta é uma pergunta que me persegue há 10 anos. Agora formulada no passado, mas muitas muitas vezes dita no presente, em forma de pergunta desesperada. Primeiro, "tenho cancro? Tenho cancro? E agora? Vou morrer?" Depois vieram muitas outras perguntas, quase sempre sem resposta, ou com uma resposta vaga e evasiva. "Vamos ver. Temos de abrir. Cada caso é um caso. Nunca tinha visto nada assim na sua idade." Depois da operação, e de cada vez que iniciava um novo ciclo de tratamentos ou de cada vez que falava com um médico passei a escutar palavras como "Tumor agressivo. Tumor difuso. Gastrectomia total. Células em anel de sinete. Quimioterapia. Radioterapia. E sempre a mesma pergunta na minha cabeça. " tenho cancro, e agora?" Com o passar dos anos as respostas a esta pergunta foram variando, porque também mudou o que eu era, o que esperava, o que queria da vida. Numa primeira fase sobreviver era o mais importante. Depois quis saber tudo, estar informada, saber o que me esperava. A seguir veio a luta física diária. Depois o medo, as dúvidas, as angústias. Passaram muitas fases até chegar aqui, a estes 10 anos. Já esperei muito pouco da vida. Agora quero o melhor dela. O cancro não me matou (não sei se não matará, um dia, mas este não será) e eu estou agora preparada para outras coisas, para outras perguntas e outras respostas. Sem medo. Neste momento, à luz da evolução da investigação na área do cancro do estômago, sinto necessidade de outras respostas à minha pergunta inicial. "Tive cancro, e agora? Foi genético? Que cuidados devo ter? Devo estar alerta pelos meus filhos? " É impressionante a falta de informação. É preciso escavar, não desistir, ouvir muitas imbecilidades até se conseguir bater à porta certa. Hoje bati a essa porta e ela abriu-se. Hoje conheci pessoalmente uma pessoa que muito admiro, o Professor Sobrinho Simões. Bastou-me a lata para lhe mandar um mail. Hoje abri uma porta que me vai levar ao conhecimento. Não sei se vou gostar de todas as descobertas, se não me irão inquietar... Mas está na altura de abrir o livro. A realidade existe e não vale a pena tapar o sol com a peneira... Hoje espero ter iniciado um novo ciclo que quero que se reflita aqui. Um espaço de esclarecimento, de ajuda a quem, como eu, se sentiu tão sozinho na sua busca por mais informação. Porque 10 anos são muito tempo. Está na hora de deixar de pensar para dentro e fazê-lo para fora, esclarecendo-me e ajudando, na medida do possível, que. Precisar.

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5 comentários

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De Maria a 31.01.2015 às 19:25

Faço essa travessia sozinha, como tu. Neste momento a minha mãe luta contra um cancro no estômago. Já vai na segunda série de quimioterapia e ouço alguns dos termos que descreves, todos os dias. Mas não sei, a fundo, o que enfrentamos. Será genético? e os mu filhos? E sobrinhos? Já nem falo de mim...se souberes coisas que nos ajudem a estar informados, obrigada por as partilhares por aqui.
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De Maria a 31.01.2015 às 23:37

Se já gostava de vir ao seu blog diariamente, agora tenho um motivo ainda mais forte... A minha mãe teve o mesmo problema, infelizmente com o pior dos desfechos, e todas essas perguntas pairam na minha cabeça.
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De Inês P Queiroz a 01.02.2015 às 23:22

Querida Maria, estou agora a iniciar toda a investigação que possa fazer sobre este assunto. Espero ir colocando aqui no blogue tudo o que encontrar, tudo o que o Ipatimup me passar. O primeiro passo é perceber qual o tipo de tumor que que a sua mãe teve e se há na família algum histórico de cancro do estômago.
Um grande beijinho para si.
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De helena a 03.02.2015 às 15:00

O meu pai teve cancro no estômago, mas não morreu de cancro. Perdemos há pouco uma familiar com cancro do cólon e temos um doente oncológico na família que mais dois meses e passam cinco anos desde a operação. Agora está bem, os tratamentos já lá vão e o pior parece ter passado, mas o medo mantém-se , ainda oiço a médica a dar-nos o pior prognóstico possível, felizmente parece ter-se enganado.

A quem quer que esteja a passar por esta doença, um abraço de coragem e esperança.

Obrigada a si, Princesa, pela partilha de informação útil.
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De Sofia Leite a 05.10.2015 às 13:02

Na passada sexta feira, dia de aniversário do meu marido. A médica de família deu-me a noticia. Ele têm cancro na tiróide... Que faço, que atitude tomo... que tipo de apoio lhe posso dar. quais as etapas que vamos passar. A minha cabeça está tão confusa...

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