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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.

11
Out14

Dias maus

por Inês P Queiroz

Por estes dias as coisas nunca andam boas. 8 e 9 de Outubro são dias que me ficaram gravados no coração. Pode parecer estranho mas acordei no dia 8 com uma sensação estranha, um aperto no coração, não consigo explicar bem. Depois lembrei-me... E entrei num processo de memórias, de reconstituição de uma realidade que já o foi. O dia em que o meu pai me morreu. E escrevo morreu-me e não morreu, porque é assim que me sinto. Ainda hoje: ele morreu-me, foi-me tirado. Fecho os olhos e faço a reconstituição daqueles dois dias. Foi tudo tão rápido e às vezes parece-me que foi uma eternidade, que o tempo simplesmente não passava. Estes dias são dias em que as palavras com a minha mãe e com o meu irmão são mais escassas. Tentamos lembrar o que não foi esquecido. "Sabes que dia é hoje?" "Sei,mas não quero falar sobre isso. Não estou preparada. " Perder o meu pai deixou-me infinitamente mais triste. E não há nada que preencha esse vazio. Já lá vão seis anos...

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20
Set14

Momento estranho da noite

por Inês P Queiroz
Ontem fui a um concerto e ao meu lado sentou-se um senhor com uma traqueostomia. Aquilo incomodou-me tanto, mexeu em tantos botões da minha cabeça. Se tudo tivesse corrido bem, aquele podia ser o meu pai. O meu pai devia ter sobrevivido e a única sequela visível deveria ser aquela: aquele furinho, aquele respirar diferente, aquela voz a que todos já nos teríamos habituado. Foi triste. E depois havia a envolvência da música, eu sei lá. A verdade é que tive muitas muitas saudades e não consegui evitar chorar.

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02
Ago14

O meu pai nas pequenas coisas

por Inês P Queiroz

Ontem o Henrique chegou de Março de Canaveses. Vinha feliz, com um sorriso maravilhoso, e com novidades. Dos amigos que fez, dos jogos que jogou e das descobertas que fez. Sim. As descobertas do sótão. A minha mãe andou no sótão, encontrou testes meus, objectos, pequenas coisas do meu passado que estavam guardadas, quase perdidas. Uma delas foi este saco, feito de uma saia de ganga que já não me servia.
Lembro-me tão bem dele... Quando a minha mãe mo mostrou não consegui evitar as lágrimas. Aquele I, desenhado e bordado pelo meu pai, trouxe-me tantas memórias... E saudades também.

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23
Jul14

Saudades

por Inês P Queiroz

Na semana passada aproveitámos para ir a Marco de Canaveses ter com a minha mãe. Nunca ficamos lá muito tempo (deste vez fomos na quinta e regressámos no domingo, mas na verdade passámos grande parte de sexta e sábado no Porto), o que deixa a minha mãe triste. Fica sempre a pensar que ninguém liga nada à casa, nem a ela...

Desta vez o Henrique ficou lá com a avó. Bom para ela, que não fica sozinha; bom para ele, que fica com atenção da avó só para ele e bom para nós que ficamos só com a piquena.

Quando eu era miúda diverti-me à grande na terra dos meus pais. Aprendi lá tanta coisa... a nadar, a apanhar furta das árvores, a andar descalça como uma profissional... mas eu tinha um irmão com idade muito próxima da minha e um bando de primos com quem brincar. O Henrique, por sua vez, não tem nada disso: a mana ainda é bebé e os primos (filhos dos meus primos) já não moram ali, ou passam o dia não sei onde. Resultado, fico sempre a achar que, se calhar, ele não se está a divertir. Pelo menos não tanto quanto podia.

E, como se isso não bastasse, a casa aqui ficou vazia sem ele. Estou-me sempre a queixar que não tenho tempo, nem espaço para as minhas coisas. E depois, vai-se a ver, estou aqui só com a Alice que até é super portátil e vai comigo para todo o lado sem reclamar, e sinto-me incompleta, a casa está vazia... tenho saudades do meu pequeno refilão, essa é que é essa.

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09
Mai14

memórias do meu pai

por Inês P Queiroz
Hoje quando vinha a caminho do escritório cruzei-me com um senhor que tinha o cheiro do meu pai. Aquele cheiro de quem acabou de fazer a barba e colocou perfume... um cheiro fresco e único como ele tinha. Senti tantas saudades dele naquele momento... O meu pai já morreu há quase seis anos, e eu tenho cada vez mais saudades dele.

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28
Mar11

60

por Inês P Queiroz
Se fosses vivo fazias hoje 60 anos. Seria dia de festa. Teríamos um belo bolo de aniversário. Estarias rodeado dos teus netos que enfiariam os dedos no bolo antes do permitido. Cantaríamos os parabéns. Haveria uma garrafa de espumante. Estaríamos todos reunidos em volta da mesa, uma das coisas que mais gostavas, e haveria muita algazarra. Mas tu morreste e a algazarra foi substituída pelo silêncio da visita ao cemitério onde és apenas uma fotografia. Hoje à noite vou beber um copo por ti, pai. e chorar um bocadinho a falta que me fazes.

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15
Jul10

Dois dias

por Inês P Queiroz
Dentro de 48 horas, mais coisa menos coisa, estarei a estrafegar o meu coquinhas com beijos, abraços e afins. Até acho que o vou deixar jogar dois ou três jogos da Guerra das Estrelas no meu computador. Talvez lhe dê batatas fritas. E vamos ao parque. E vou apertá-lo. E vou ver vários episódios da Animália, de seguida. E agora vou mas é trabalhar que ainda faltam dois dias.

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11
Jun10

festejos e nostalgias

por Inês P Queiroz
Amanhã faz seis anos que o meu filho nasceu. E foi um dia de uma alegria inacreditável. Amanhã faz 4 anos que me casei. E foi um dia maravilhoso. Em ambos o meu pai esteve presente e contribuiu para que a felicidade fosse mais completa. Amanhã voltamos a festejar mas, desta feita, sem ti, pai. E custa-me muito que estes festejos não contem contigo, com o teu sorriso, com o teu beijo. Tenho saudades, mas prometo que não vou chorar. Vou honrar a tua memória com uma festa bonita. Vou fechar os olhos e imaginar que estás lá.

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28
Dez09

saudades com sorrisos

por Inês P Queiroz
Não vale a pena dizer quantas vezes me lembrei do meu pai este Natal. Senti muitas saudades de acordar em sua casa no dia 25, com o cheiro do pão torrado a entrar pelo quarto e a sua voz a chamar-me molengona. Senti a falta do seu beijo, da sua alegria enquanto me via a abrir as prendas, do brilho do seu olhar... senti a falta de muitas coisas dele, mas não chorei. Consegui engolir uma ou outra lágrima mais matreira e vivi esta quadra com alegria.
Mas hoje pai, foi mais forte do que eu, lembrei-me de ti quando regressava do trabalho e no rádio parei na Amália FM. Escutava-se "O Rapaz da Camisola Verde", faduncho do qual tanto gostavas. E dei por mim a rir-me como uma perdida e a lembrar-me de ti e da forma como gozava contigo por gostares desse fado.
Onde quer que estejas pai, sente o meu beijo com muito amor

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11
Nov09

nas pequenas coisas

por Inês P Queiroz
estás nas pequenas coisas do meu dia-a-dia, pai. Nas pequenas frustrações, nos insignificantes gestos do quotidiano, nas mais simples memórias. Hoje à noite, quando chegávamos a casa depois da natação, o Henrique disse, "Olha ali o teu pai, no céu". E eu senti-me verdadeiramente acompanhada por ti.
Este fim-de-semana, enquanto tomávamos banho, olhou-me com aqueles olhos de criança cheia de medo e disse "Mãe, nunca te vou esquecer. Nem quando morreres. Eu também não esqueci o avô António".
Por isso pai, como podes ver, estás em nós, na peça de roupa que comprei quando te fui ver ao hospital, na frase que dirias, no petisco que como e que sei que adoravas... estás em tudo e nem por isso as saudades são menos.

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09
Jul09

Contabilidade

por Inês P Queiroz
Durante todo o dia tentei pensar em outras coisas. Mas, nem por um segundo, consegui esquecer que faz hoje nove meses que te perdi, pai.

fazes-me falta

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25
Jun09

Lindamente, não foi?

por Inês P Queiroz
Depois de uma demonstração do que poderiam ser 12 dias de histeria completa, em que eu poderia escrever várias vezes ao dia sobre as horas que faltavam para o meu filho regressar, ou das muitas saudades que sentia, eu inverti a tendência e portei-me lindamente. Estive mesmo bem. Nada de lamechices, nada de choramingar, nada de dizer que nunca mais o deixaria ir para longe (este assunto ainda não está resolvido). Decidi-me por aproveitar, da melhor forma possível, 12 dias de liberdade de horários. Muitos jantares, algum cinema, muitas idas à esplanada ao fim da tarde sem estar constantemente a olhar para o relógio.
Mas hoje, véspera de o voltar a ter no meu colo, não posso continuar a mentir. Estou cheia de saudades. Apetece-me brincar com ele, ouvi-lo correr pela casa, sentar-me ao seu lado no sofá para ver a Vila Moleza... Não sei se volto a deixar o Atlântico meter-se entre nós

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29
Mar09

Março chega finalmente ao fim

por Inês P Queiroz
E sinto-me aliviada.
Com o fim deste mês vai-se o dia do pai e passa-se o aniversário do meu pai. Foi ontem, dia 28, que, nos 33 anos da minha existência pela primeira vez passei pelo seu aniversário sem o ter.
Desde que o meu pai morreu que não voltei ao cemitério onde está sepultado. Este fim-de-semana achei que era tempo de enfrentar a realidade e fui até Marco de Canaveses. Eu e a minha mãe. E foi horrível chegar aquele jazigo e imaginar-te lá, pai. Sem a tua fotografia e sem qualquer lápide tornou-se menos penoso. Pude fingir, durante instantes, que estava ali apenas para ver o avô ou a bisavó. Mas foi só durante um instante. Passados esses segundos iniciais pude fechar os olhos e ver-te descer à terra naquele caixão castanho claro. Ontem parei de fingir que ainda estavas na clínica à espera da minha visita. Ontem não houve bolo de aniversário, nem prenda, nem parabéns a você. Houve lágrimas e muitas saudades

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10
Mar09

aniversários - parte 2

por Inês P Queiroz
Dia 9 de Março... faz cinco meses que o meu pai morreu. Tenho tantas saudades que até sinto falta de ar de tanto que me dói o peito quando penso nele. Este vai ser um mês difícil com o Dia do Pai e o dia do seu aniversário... são demasiadas efemérides sem a sua presença.
Vou fechar os olhos e recordá-lo a sorrir.

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07
Jan09

Ensinamento 1

por Inês P Queiroz
Quando eu era miúda não dispensava uma boa briga. Quer dizer, não era miúda de andar por aí à pancada a torto e a direito mas aprendi a defender-me, coisa que era uma regra de ouro lá em casa. São vários os ensinamentos do meu pai que me vêm à memória ultimamente, e este era um deles. "Não quero que me digam que começaste uma briga, mas nunca me chegues a casa a chorar porque te bateram, que aí ainda te dou uma palmada."
E a verdade é que eu aprendi e nunca me dei mal com esta regra que pretendo passar ao Henrique. Vai ser o primeiro de muitos ensinamentos do avó António.

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07
Jan09

Ensinamento 1

por Inês P Queiroz
Quando eu era miúda não dispensava uma boa briga. Quer dizer, não era miúda de andar por aí à pancada a torto e a direito mas aprendi a defender-me, coisa que era uma regra de ouro lá em casa. São vários os ensinamentos do meu pai que me vêm à memória ultimamente, e este era um deles. "Não quero que me digam que começaste uma briga, mas nunca me chegues a casa a chorar porque te bateram, que aí ainda te dou uma palmada."
E a verdade é que eu aprendi e nunca me dei mal com esta regra que pretendo passar ao Henrique. Vai ser o primeiro de muitos ensinamentos do avó António.

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05
Jan09

Ano Novo

por Inês P Queiroz
Acabaram as festas.
Estou de volta ao trabalho. Ano Novo.
Vazio antigo

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05
Jan09

Ano Novo

por Inês P Queiroz
Acabaram as festas.
Estou de volta ao trabalho. Ano Novo.
Vazio antigo

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15
Dez08

Peças soltas

por Inês P Queiroz
Hoje, enquanto vinha para o trabalho, lembrei-me de ti, pai. Não penses que não me lembro de ti nos outros dias. Tu estás muito no meu pensamento. Mas hoje voltou-me à memória esta coisa da ironia do destino... eu, que andei tanto tempo a queixar-me que trabalhava longe da clínica e que era muito complicado visitar-te à hora do almoço, fiquei feliz da vida quando a empresa onde trabalho foi comprada pelo grupo Leya. Ia, finalmente, para perto de ti... e hoje, enquanto subia os Cabos de Ávila lembrei-me que de nada servia estar aqui tão perto da clínica... sabias que às vezes me perco? Já não é a primeira vez que dou por mim a caminho da Reboleira e só depois me apercebo que já não estás lá, que o meu destino é outro.
Fazes-me tanta falta... o teu silêncio, o teu olhar, a tua mão na minha. Ando tão perdida sem ti.

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15
Dez08

Peças soltas

por Inês P Queiroz
Hoje, enquanto vinha para o trabalho, lembrei-me de ti, pai. Não penses que não me lembro de ti nos outros dias. Tu estás muito no meu pensamento. Mas hoje voltou-me à memória esta coisa da ironia do destino... eu, que andei tanto tempo a queixar-me que trabalhava longe da clínica e que era muito complicado visitar-te à hora do almoço, fiquei feliz da vida quando a empresa onde trabalho foi comprada pelo grupo Leya. Ia, finalmente, para perto de ti... e hoje, enquanto subia os Cabos de Ávila lembrei-me que de nada servia estar aqui tão perto da clínica... sabias que às vezes me perco? Já não é a primeira vez que dou por mim a caminho da Reboleira e só depois me apercebo que já não estás lá, que o meu destino é outro.
Fazes-me tanta falta... o teu silêncio, o teu olhar, a tua mão na minha. Ando tão perdida sem ti.

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