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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.

24
Fev15

Tristeza

por Inês P Queiroz

ONV_PRINCESA033.jpg

Conheci-a há pouco menos de uma semana. Ri-me tanto com ela, mas tanto. Achei espetacular a forma como tentava animar mesmo os meninos mais tristes, como o Tomás, que estava em isolamento e sem grande paciência para palhaçadas. É verdade que a vida tem destas ironias: alguém que faz rir os outros e que pode estar triste, sozinho, desesperado... Hoje fiquei sem chão quando me telefonaram a dizer que a Dra. Tutti Fruti (na foto à direita) tinha morrido. Como? Porquê? Há dias mesmo tristes. Espero que ela tenha percebido, durante o tempo que cá andou, que fez a diferença para muitas e muitas crianças que com ela sorriram e esqueceram um pouco que estavam doentes.

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11
Out14

Dias maus

por Inês P Queiroz

Por estes dias as coisas nunca andam boas. 8 e 9 de Outubro são dias que me ficaram gravados no coração. Pode parecer estranho mas acordei no dia 8 com uma sensação estranha, um aperto no coração, não consigo explicar bem. Depois lembrei-me... E entrei num processo de memórias, de reconstituição de uma realidade que já o foi. O dia em que o meu pai me morreu. E escrevo morreu-me e não morreu, porque é assim que me sinto. Ainda hoje: ele morreu-me, foi-me tirado. Fecho os olhos e faço a reconstituição daqueles dois dias. Foi tudo tão rápido e às vezes parece-me que foi uma eternidade, que o tempo simplesmente não passava. Estes dias são dias em que as palavras com a minha mãe e com o meu irmão são mais escassas. Tentamos lembrar o que não foi esquecido. "Sabes que dia é hoje?" "Sei,mas não quero falar sobre isso. Não estou preparada. " Perder o meu pai deixou-me infinitamente mais triste. E não há nada que preencha esse vazio. Já lá vão seis anos...

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14
Ago14

O candidato à presidência do Brasil que morreu ontem tinha feito 49 anos no passado domingo, que no Brasil também é o dia do pai. Os 5 filhos, em jeito de homenagem, fizerm este vídeo. Tão bonito e, visto agora, tão triste. Podemos não saber quem são as pessoas que morrem. Elas podem não nos dizer nada... mas dizem tanto a alguém, há sempre alguém que sofre tanto.

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12
Ago14

Triste

por Inês P Queiroz

Há muitos anos o meu melhor amigo suicidou-se. É uma dor horrível, esta de viver com o fardo de não se ter feito nada que evitasse uma morte. Desde essa altura que me pergunto, de cada vez que alguém se suicida, que desespero tão grande era o que essa pessoa vivia que o fez optar pela morte? Que notícia tão triste. Carpe Diem, Mr. Williams.

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09
Mai14

memórias do meu pai

por Inês P Queiroz
Hoje quando vinha a caminho do escritório cruzei-me com um senhor que tinha o cheiro do meu pai. Aquele cheiro de quem acabou de fazer a barba e colocou perfume... um cheiro fresco e único como ele tinha. Senti tantas saudades dele naquele momento... O meu pai já morreu há quase seis anos, e eu tenho cada vez mais saudades dele.

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09
Out09

Obrigada, senhor Obama

por Inês P Queiroz
Custou-me muito, mas sobrevivi a este dia. Em parte graças ao senhor Obama. Thank you Mr President. Sim, o senhor Obama é meu autor e, por esse motivo, começaram a chover telefonemas a partir das 9h30 da manhã. Não foram telefonemas de parabéns mas sim de "que material vamos fazer para o ponto de venda e de que modo coordenamos a produção?". E soube-me muito bem não passar a viagem de comboio a pensar no meu destino, na tristeza que há dentro de mim. Ela continuou cá, mas adormecida. Porque, vá-se lá saber porquê, eu sou daquelas que vibra com o trabalho (às vezes, muitas, também esperneio e rabujo), que gosto de fazer bem, que me interesso por fazer melhor e, verdade verdadinha, apesar de todas as merdas que se dizem hoje, que ele não merecia, que não fez nada pela paz no mundo, que pela primeira vez o prémio é atribuído a alguém de quem se espera muito mas que ainda não fez nada, fico muito agradecida aos senhores que deliberaram, que a escolha tenha recaído sobre o senhor Obama. Eu já gostava muito dele. Talvez porque deixei de acreditar em Deus e me centro mais nos Homens, gosto deste homem que tem, com toda a certeza, muitos defeitos, mas que transporta em sim a chama da esperança que há muito eu não via. Estou-me a borrifar para as considerações acerca do poder e do domínio excessivo dos EUA na política e na economia mundial. Sim, eles são uns pedantes, sim, eles são uns cínicos, sim eles acham-se os melhores do mundo e fazem muita merda. Mas terá sido o Obama a iniciar o processo??? Pois, bem me parecia que não.
Senhor Obama, eu já gostava de si e hoje passei a gostar ainda mais. Porque o senhor, sem saber muito bem porquê, amenizou a minha dor, tornou menos dolorosa a colocação da placa com a foto e com o nome do meu pai em cima do jazigo de família, fez-me pensar que há mais no mundo que a minha tristeza.
Obrigada, senhor Obama

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09
Out09

Ano I depois de ti

por Inês P Queiroz
Faz hoje um ano que o meu pai morreu. Não posso dizer que tenha sido sem aviso, ele estava doente há dois anos, vivia num grande calvário e, talvez por isso, tenha decidido desistir. O seu enorme coração já não suportava tanta dor e tanta tristeza. E assim, apesar da alegria de ver os netos, apesar da minha mãe, de mim e do meu irmão, ele decidiu que não queria viver mais.
E quem me conhece sabe que sou a última pessoa a criticar ou a condenar o meu pai. O que ele vivia, sendo viver, ja não era quase nada. Era coisa pouca para um homem tão grande e tão generoso.
Faz hoje precisamente um ano que soube o que era perder um bocadinho de mim. E, fechando os olhos, lembro-me de quase tudo o que aconteceu nesse dia.
Todos tínhamos consciência que o meu pai nos estava a escapar por entre os dedos; ele já tinha desisitido há alguns dias; lembro-me do telefonema para me ir despedir dele; recordo-me perfeitamente dos minutos que estivemos a sós... ele já inconscinete, sereno, tranquilo. O coração a bater cada vez mais devagar; sei exactamente o que lhe disse, os beijos que lhe dei, as saudades que comecei a sentir logo naquele instante... E depois saí, fui a casa escolher uma roupa, a mais bonita, tudo a condizer (o meu pai adorava que eu lhe escolhesse a roupa)... e depois o telefonema do meu irmão, a chegada ao hospital, o olhar para ele já sem vida, a tristeza da minha mãe, o desespero do meu irmão. E quando olhei para o meu irmão, roupa nos braços para vestir o meu pai com um coleg de trabalho, soube que não o podia deixar com um estranho a fazer a mais penosa das suas tarefas: aquele não era um morto, era o nosso pai. E ainda não sei como, contrariei todas as minhas crenças e entrei naquela sala para o vestir, num ritual muito ambíguo: triste, muito triste mas, simultaneamente, com algum orgulho por sermos nós, naquele momento, a tratar dele.
E depois foi tudo muito rápido. Um ano a voar, o primeiro aniversário do mano sem ele, o primeiro Natal, o meu primeiro aniversário, o dele, o do Henrique, o da mãe, o dia do pai....
E a cada dia que passa sinto mais saudades dele...

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09
Jul09

Contabilidade

por Inês P Queiroz
Durante todo o dia tentei pensar em outras coisas. Mas, nem por um segundo, consegui esquecer que faz hoje nove meses que te perdi, pai.

fazes-me falta

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06
Jul09

Esta malta sabe-se tratar

por Inês P Queiroz
Dois ou três dias antes do Michael Jackson morrer tive, pela terceira ou quarta vez, o disco comemorativo dos 25 anos do Thriller nas mãos. E pela terceira ou quarta vez eu e o meu marido decidimos não o comprar. Estava a 10,95, um preço muito bom, mas era tanta a música que estávamos a levar, um bocado na boleia da Festa da Música da Fnac, que pensámos que poderia ficar para depois. Nessa mesma semana o senhor morre e o que faz a malta da Fnac? coloca o mesmo disco com muito mais destaque, debaixo de um cartaz que assinala a homenagem da cadeia de lojas ao rei da pop e, para o comemorar, nada melhor que subir o preço do cd para os 19 euros. Esta malta sabe-se tratar, essa é que é essa.

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30
Jun09

morte de um mito

por Inês P Queiroz
Morreu a Pina Bausch. E, apesar de não ter gostado das últimas coisas que vi dela, não posso deixar de sentir um aperto no coração por tudo o que ela fez e representou. Estou triste. Mais uma vida ceifada pelo cancro.

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16
Jun09

Ausência

por Inês P Queiroz
O dia 9 é um dia malfadado. É o dia em que partiste. Este ano, que é o primeiro sem ti, pai, é também contabilizado pela tua ausência nas comemorações da família. Em Novembro faltaste ao 3º aniversário do Tiago, e ao 36º do teu filho e do Filipe. Em Dezembro não estiveste no Natal. Não me mandaste um beijo no ano novo. Falhaste os meus anos em Fevereiro. Tiveste a coragem de não comemorar os teus em Março. E agora foram os anos do Henrique... fazes-me falta.

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29
Mar09

Março chega finalmente ao fim

por Inês P Queiroz
E sinto-me aliviada.
Com o fim deste mês vai-se o dia do pai e passa-se o aniversário do meu pai. Foi ontem, dia 28, que, nos 33 anos da minha existência pela primeira vez passei pelo seu aniversário sem o ter.
Desde que o meu pai morreu que não voltei ao cemitério onde está sepultado. Este fim-de-semana achei que era tempo de enfrentar a realidade e fui até Marco de Canaveses. Eu e a minha mãe. E foi horrível chegar aquele jazigo e imaginar-te lá, pai. Sem a tua fotografia e sem qualquer lápide tornou-se menos penoso. Pude fingir, durante instantes, que estava ali apenas para ver o avô ou a bisavó. Mas foi só durante um instante. Passados esses segundos iniciais pude fechar os olhos e ver-te descer à terra naquele caixão castanho claro. Ontem parei de fingir que ainda estavas na clínica à espera da minha visita. Ontem não houve bolo de aniversário, nem prenda, nem parabéns a você. Houve lágrimas e muitas saudades

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16
Mar09
Foi um choque. Senti um aperto tão grande há medida que o meu marido me ia contando o que tinha acontecido que só pensava o que faria numa situação semelhante. Um pai esquecera-se do seu filho de nove meses no carro e, três horas depois, quando regressou alertado pela mãe, o bebé tinha morrido. Fiquei horrorizada, angustiada... mesmo agora, com a distância de dois dias, não consigo parar de tremer quando penso no que aconteceu.
E eu não conseguia parar de pensar. Não conseguia desviar de mim o terrível pensamento que aquilo poderia muito bem ter acontecido comigo. Ou com o meu marido.
É possível amar um filho e esquecer-se dele? Era mais ou menos este o excelente título da nótícia do Público. A minha resposta é sim e daí esta angústia, esta incredulidade. Eu acho que uma coisa destas pode acontecer. E isso assusta-me. Todos pensamos que somos bons pais e que nunca nos esquecemos deles e que eles estão sempre em primeiro lugar em tudo o que fazemos ou pensamos... mas basta termos a coragem de olhar bem dentro de nós e conseguimos ver que uma tragédia destas podia bater à nossa porta. À minha, pelo menos, podia.
Vivemos tão obcecados com o trabalho, com as reuniões, com as pequenas tragédias do universo que nos rodeia quando estamos a trabalhar que muitas vezes nos esquecemos do essencial: a festa de anos, a peça de teatro do colégio, levantar isto, deixar aquilo. Bem sei que esquecer-se de um bebé não é a mesma coisa que esquecer um papel no carro. Mas se ele estiver a dormir e nós estivermos atrasados para aquela reunião.... não sei. Quantas crianças morrerm afogadas no instante em que um dos pais desvia olhar? E quantas caem da varanda? E quantas bebem produtos tóxicos? Esses pais são julgados na praça pública?
Não consigo deixar de pensar que a vida daquela família está irremediavelmente perdida, que aquele homem nunca terá uma noite de descanso, que a imagem do seu bebé morto no banco traseiro do carro nunca deixará de o perseguir, que aquela mãe, por mais que tente, nunca conseguirá perdoar.
E sinto-me triste que vivamos num mundo assim, que nos asfixia.

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12
Mar09

Contra a hipocrisia

por Inês P Queiroz
Morreu o João Mesquita. Para quem não sabe, o Mesquita era jornalista. Dos bons, dos tesos, sobretudo, dos íntegros, o que é cada vez mais raro nos dias que correm. Esta noite passei os olhos por o que algumas pessoas disseram do João, do seu percurso, do seu carácter, da sua honestidade e frontalidade. Eu sinto-me triste. Porque o conheci, porque tive a felicidade de trabalhar consigo e porque, depois da morte do seu amigo e companheiro Torcato, me sinto um bocadinho mais orfã de referências.
Muitas vezes me lembro do Torcato e da forma como estes dois estarolas andavam juntos pel'A Capital. E se é verdade que A Capital tinha problemas estruturais, não é menos verdade que foi um local que me deu muito. Deu-me a oportunidade de trabalhar directamente com o Torcato no suplemento GLX, deu-me o privilégio de privar com o João Mesquita, deu-me o prazer de conversar todas as semanas com o Appio... preciosidades que não têm preço e que fizeram de mim melhor jornalista e um ser humano mais tolerante.
E é por isso que hoje, lendo o que se escreveu sobre o Mesquita, não posso deixar de sentir revolta. Revolta contra a hipocrisia de certos amigos que tantas linhas te dedicaram nos jornais de hoje. Hoje a igreja estava repleta de famosos: do jornalismo à política.
Gostava de saber onde é que a grande maioria destes senhores estava neste últimos anos da sua vida, em que estava desempregado, já sem o subsídio de desemprego. Lembro-me de algumas colaborações que o João fez para o Torcato, falámos delas. Mas nuca lhe foi permitido o regresso a uma redacção. E se era assim tão bom como hoje se disse (e eu sei que ele era) porque motivo o deixaram no desemprego desde 2003, altura em que foi despedido de A CApital?
Leio o editorial do Público e tenho vontade de rir... o João foi para Coimbra desempregado porque o actual director do Público foi protelando a decisão de o transferir para a delegação de Coimbra. Adiou a coisa por tanto tempo que o João teve de se demitir e ir para Coimbra na qualidade de desempregado...
Eu lembro-me da sua honestidade, da sua integridade e, infelizmente, também me lembro da tristeza que via no seu olhar sempre que a conversa era o jornalismo, a forma pesarosa como dizia que as colaborações eram poucas e mal pagas... a doença deixou-o triste mas acredito que se conseguisse ler o que dele escreveram daria duas ou três gargalhadas...

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10
Mar09

aniversários - parte 2

por Inês P Queiroz
Dia 9 de Março... faz cinco meses que o meu pai morreu. Tenho tantas saudades que até sinto falta de ar de tanto que me dói o peito quando penso nele. Este vai ser um mês difícil com o Dia do Pai e o dia do seu aniversário... são demasiadas efemérides sem a sua presença.
Vou fechar os olhos e recordá-lo a sorrir.

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21
Jan09
Ainda a propósito da morte com cancro e porque não quero usar como exemplo um mau exemplo. Eu não conhecia a Tereza Coelho e, hoje em conversa, disseram-me que, afinal ela não tinha cancro mas um tumor benigno e que a sua pneumonia em nada estava relacionada com cancro... Sendo assim, esqueçamos o caso da Tereza (apesar de alguns orgãos terem noticiado que ela tinha morrido de cancro). O que eu acho é que quando a pessoa morre de uma complicação do cancro tal não deve ser escamoteado. O meu pai, por exemplo, teve cancro da hipofaringe. Morreu de uma complicação da sua doença. Se tivesse sido atropelado ao atravessar a rua não seria de uma complicação do cancro. Mas como morreu dos efeitos da radioterapia. a verdade, pelo menos a minha verdade, é que morreu de uma complicação do cancro.

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21
Jan09
Ainda a propósito da morte com cancro e porque não quero usar como exemplo um mau exemplo. Eu não conhecia a Tereza Coelho e, hoje em conversa, disseram-me que, afinal ela não tinha cancro mas um tumor benigno e que a sua pneumonia em nada estava relacionada com cancro... Sendo assim, esqueçamos o caso da Tereza (apesar de alguns orgãos terem noticiado que ela tinha morrido de cancro). O que eu acho é que quando a pessoa morre de uma complicação do cancro tal não deve ser escamoteado. O meu pai, por exemplo, teve cancro da hipofaringe. Morreu de uma complicação da sua doença. Se tivesse sido atropelado ao atravessar a rua não seria de uma complicação do cancro. Mas como morreu dos efeitos da radioterapia. a verdade, pelo menos a minha verdade, é que morreu de uma complicação do cancro.

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19
Jan09

Morrer de cancro é indigno?

por Inês P Queiroz
Infelizmente este fim-de-semana foi pesado na contabilidade das mortes de cancro...Tereza Coelho, Luis Vasconcellos, João Aguardela. Todas pessoas que não conhecia (apesar de trabalhar na mesma empresa que Tereza Coelho). Todas elas morreram de cancro, ou de complicações.
No caso da Tereza Coelho foram várias as homenagens prestadas em vários jornais e blogues. A mais bonita, a meu ver, perteceu à Isabel Coutinho. Mas há uma coisa que eu não percebo: no artigo do Público le-se que Tereza Coelho morreu de complicações de uma Pneumonia. é só meia verdade, na medida em que a pneumonia era, já ela, uma complicação do cancro.
E talvez seja um preciosismo meu, que tive cancro. Ou talvez não. Mas parece-me que os jornalistas ainda têm medo de escrever que uma pessoa morreu de cancro. Qual é a diferença entre morrer de cancro, de pneumonia, de enfarte? Por acaso é menos digno morrer de cancro?
Há anos, durante uma entrevista que o meu marido fez a António Mega Ferreira este, que recuperava de um tumor maligno, dizia mais o menos o mesmo, que as pessoas em Portugal morriam de doença prolongada...
Eu tive cancro. E se morrer de alguma complicação da minha doença não quero que se diga outra coisa que não a verdade.

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19
Jan09

Morrer de cancro é indigno?

por Inês P Queiroz
Infelizmente este fim-de-semana foi pesado na contabilidade das mortes de cancro...Tereza Coelho, Luis Vasconcellos, João Aguardela. Todas pessoas que não conhecia (apesar de trabalhar na mesma empresa que Tereza Coelho). Todas elas morreram de cancro, ou de complicações.
No caso da Tereza Coelho foram várias as homenagens prestadas em vários jornais e blogues. A mais bonita, a meu ver, perteceu à Isabel Coutinho. Mas há uma coisa que eu não percebo: no artigo do Público le-se que Tereza Coelho morreu de complicações de uma Pneumonia. é só meia verdade, na medida em que a pneumonia era, já ela, uma complicação do cancro.
E talvez seja um preciosismo meu, que tive cancro. Ou talvez não. Mas parece-me que os jornalistas ainda têm medo de escrever que uma pessoa morreu de cancro. Qual é a diferença entre morrer de cancro, de pneumonia, de enfarte? Por acaso é menos digno morrer de cancro?
Há anos, durante uma entrevista que o meu marido fez a António Mega Ferreira este, que recuperava de um tumor maligno, dizia mais o menos o mesmo, que as pessoas em Portugal morriam de doença prolongada...
Eu tive cancro. E se morrer de alguma complicação da minha doença não quero que se diga outra coisa que não a verdade.

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15
Dez08

Peças soltas

por Inês P Queiroz
Hoje, enquanto vinha para o trabalho, lembrei-me de ti, pai. Não penses que não me lembro de ti nos outros dias. Tu estás muito no meu pensamento. Mas hoje voltou-me à memória esta coisa da ironia do destino... eu, que andei tanto tempo a queixar-me que trabalhava longe da clínica e que era muito complicado visitar-te à hora do almoço, fiquei feliz da vida quando a empresa onde trabalho foi comprada pelo grupo Leya. Ia, finalmente, para perto de ti... e hoje, enquanto subia os Cabos de Ávila lembrei-me que de nada servia estar aqui tão perto da clínica... sabias que às vezes me perco? Já não é a primeira vez que dou por mim a caminho da Reboleira e só depois me apercebo que já não estás lá, que o meu destino é outro.
Fazes-me tanta falta... o teu silêncio, o teu olhar, a tua mão na minha. Ando tão perdida sem ti.

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