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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


19
Mar13

Pai

por Inês P Queiroz
Eu sou festeira por natureza. Sempre fui. Gosto do dia do pai, do dia da mãe, dos aniversários dos que me são queridos, do Natal. Podia-me dar para outra coisa qualquer, deu-me para isto. Confesso que não tenho grande paciência para coisas estilo, Dia da Mulher, mas o Dia do Pai, por exemplo, sempre foi um dos meus favoritos.
Quando era miúda adorava aquela coisa de fazer a prenda do Dia do Pai, a emoção de criar algo com as minhas próprias mãos, de depois oferecer ao meu pai, de ver a cara dele, o seu olhar cheio de orgulho, por mais merdosa e inútil que fosse a prenda (o que acontecia muitas vezes).
Masi tarde, quando conheci o meu gajo e engravidei, o Dia do Pai passou a ser ainda mais giro. E só se tornou melhor quando o Henrique nasceu e ganhou, ele próprio, conscîência da importância deste dia. Ele adora fazer a prenda, nunca faz só uma e rarmente consegue esperar até oa Dia 19 para dar pelo menos uma das prendas que fez. E fica sempre tão entusiasmado e feliz.
De há uns anos para cá, mais precisamente, dede que o meu pai morreu, o Dia do Pai passou também a ser um dia triste para mim, por não o ter por cá, por não lhe poder telefonar, comprar uma gravata, uma garrafa de bom vinho... Nos primeiros 2, 3 anos foi mais difícil. Eu estava ainda muito magoada por ter perdido o meu pai aos 57 anos, de uma forma tão dolorosa e penosa. Março era um mêspara esquecer: o mês do Dia do Pai e o mês do seu aniversário.
Mas, a verdade, é que as feridas saram e o coração apazigua-se. Este ano, estou grávida do meu segundo filho (neste caso, filha. Se, por um lado, estou muito triste, porque sei que uma neta seria a loucura do avô babado e porque sei que a minha filha não conhecerá nenhum dos seus avôs, por outro lado tenho de pensar na renovação das gerações. A vida continua, vem mais um bebé a caminho e com ela mais um momento de alegria e um motivo para festejar o dia de hoje.

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1 comentário

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De Helena Barreta a 20.03.2013 às 17:13

O meu pai morreu passados oito meses do nascimento do meu filho e o que mais lamento é ele não ter tido o privilégio de conhecer o avô. A raiva de tê-lo perdido já se desvaneceu, mas por outro lado e passados que estão vinte anos, a saudade ainda dói.

Um beijinho

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