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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


10
Jan15

Encarar a morte

por Princesa das estrelas

Esta semana fui a dois velórios de duas pessoas que passaram pela minha vida em momentos completamente diferentes, mas ambas deixaram a sua marca no meu coração. Já aqui escrevi sobre a Filipa e a alegria que foi para mim conhecê-la. Hoje fui ao velório do pai de uma amiga de infância. Uma daquelas pessoas que a vida se encarregou de afastar de mim mas à quem estarei para sempre ligada. Foram muitos anos de convívio, muitos segredos trocados, muitas brincadeiras, muitas zangas... Cada uma de nós teve um papel importante na infância da outra e teremos sempre memórias fantásticas do que vivemos juntas. A infância tem um lado mágico e nós bem que o explorámos. Esta minha amiga que tem mais ou menos a minha idade ficou hoje órfã de pai e já o era de mãe. A caminho do velório não conseguia deixar de pensar nisto, no que seria a minha vida sem a minha mãe... O que seria de mim sem nenhum dos dois. Já foi tão duro perder o meu pai. Não consigo sequer conceber a ideia de que a minha mãe me pode morrer. Esta morte mexeu muito comigo, trouxe à tona a morte do meu pai, a sua doença. Este pai da minha amiga foi o único amigo do meu pai que, quando ele ficou doente e deixou de falar e de sair à rua, o ia visitar todos os dias. Não tenho noção de tempo mas, pelo menos durante um ano, quando o meu pai não estava internado, este amigo ia lá a casa todos os dias para jogar às cartas com o meu pai. Era o melhor momento do seu dia. Sentavam-se, este amigo dava-lhe conta das novidades, o meu pai anuía ou mostrava perplexidade, jogavam à bisca e depois despediam-se até ao dia seguinte... Não sei se consigo expressar a gratidão que sinto por este amigo, que foi o único grande amigo do meu pai porque soube estar presente quando todos viraram as costas. Todos mesmo. Hoje, quando cheguei perto da minha amiga, abracei-a, um abraço apertado. E ela disse-me. "A vida mudou completamente. Fechou-se um ciclo. Agora sou eu a mais velha. E eu não consigo imaginar a sensação de vazio quando perdemos os dois pais. É Tão duro chegar a esta fase da vida: não são os 40, nem as rugas nem o rio que o parta. É esta sensação, este peso no peito, este despertar para uma realidade que não queremos ver: a de que os nossos pais não são imortais e que, mais cedo ou mais tarde, eles vão morrer. E vai daí pus-me a pensar na minha mãe e no que seria a minha vida sem ela. E o resultado foi uma bela choradeira. Não quero nem consigo imaginar a minha vida sem ela. Recuso-me. Em vez disso, de me por a pensar em coisas que não interessam, vou mas é Mimá-la, dizer-lhe muitas vezes que a adoro, ter mais paciência e ser mais carinhosa. Adoro-te, querida mãe.

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