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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


25
Mai14

Relações e ralações

por Princesa das estrelas
Quando era miúda, mesmo muito muda, achava que quando me apaixonasse seria para sempre, que o amor seria eterno, que o príncipe haveria de aparecer num cavalo alado, ou coisa que o valha.
À medida que fui crescendo, e não foi preciso crescer muito, percebi que a vida não era mesmo nada assim. Apesar de adorar os meus paisn (e hoje seria uma pessoa muito mais feliz se o meu pai fosse vivo) a verdade é que a vida deles, enquanto casal, não transbordava de amor... e era um amor desequilibrado, com um dos lados muito mais dependente e a gostar muito mais do que o outro. Serviu-me de exemplo para a vida. É muito triste ser-se mal amado.
Não quero julgar os meus pais. Eles tiveram a vida que quiseram e puderam ter. Tiveram uma vida de trabalho e luta. O amor era para eles um conceito muito diferente do que é para mim. Na medida do possível fui uma criança feliz, os meus pais nunca me deixaram faltar nada. Era esse o seu lema de vida: não deixar que faltasse nada aos filhos. Mas amor, amor, harmonia entre eles, momentos de cumplicidade, de ternura e beijnhos... muito sinceramente não me lembro de um único.
Depois de nós sairmos de casa (eu e o meu irmão) a relação deles melhorou: passei a vê-los mais unidos. Mas não mais do que isso. Quando o meu pai adoeceu, a minha mãe foi exemplar. Não conheço muitas mulheres que mostrassem tanta dedicação a um marido doente e completamente dependente, como ela fez.
Depois da sua morte a minha mãe teve um período muito difícil na sua vida. Faltava-lhe motivo para viver, não tinha de quem cuidar (não se esqueçam que antes do meu pai estive eu doente e a minha mãe tratou de mim, do meu filho e, por arrasto, do meu marido). Foram meses muito difíceis.
Só depois da morte do meu pai a minha mãe soube que a vida podia ser carinho, ternura...
Hoje, com mais de 60 anos, vive triste por não poder ter esse outro lado da vida. Não me cans de lhe dizer que ainda vai a tempo, que não pode desistir, e gostava mesmo muito que ela encontrasse um namorado. Alguém que le fizesse a corte.
Bem, isto para dizer que nunca vivi obcecada com a ideia de encontrar alguém. Achava mesmo que era melhor ficar sozinha do que mal acompanhada, no caso, mal amada. Mas isso não aconteceu.
O meu príncipe apareceu, não num cavalo alado, mas num opel corsa branco e foi tiro e queda.
Estamos juntos há mais de uma década, somos felizes na maior parte dos dias. Temos os nossos arrufos, as nossas discussões, as nossas chatices. Mas temos aquilo que nunca vi nos meus pais: amor, carinho, cumplicidade, ternura.
As relações amorosas são muito desgantantes para quem as vive. E elas próprias desgastam-se com o tempo. Não me venham com a conversa de que há casais que nunca trocam uma palavra feia, que nunca discutem, que estão smepre felizes e com uma relação perfeita... eu não acredito nisso. Não conheço um único casal assim. Há sempre momentos de grande tensão, momentos em que colocamos tudo em perspectiva, em que nos apetece fazer as nossas malas ou pôr as de alguém à porta. Estamos sempre a ser colocados à prova. E quando nascem filhos? Quem é que passa sem um arranhão pela falta de interesse sexual da mulher nessa altura (se houver alguém diferente que me diga, que vou ficar muito contente em sabê-lo)? Quem é que vive, sem um beliscão, a erosão dos anos, a rotina, o desgaste da pasta dos dentes, da critica, da falta de atenção, dos desacordos em relação à educação dos filhos??
Ao longo destes anos fiz tanta coisa que achei que não faria, engoli tantos sapos... Não me estou a lamentar: eu gosto da minha vida, adoro o meu marido e a minha família, mas mudei muito desde o inicio, ou melhor, fui-me adaptando. Acho que resiste quem se adapta, quem percebe que não basta amor e uma cabana. A verdade é está: viver a dois é um desafio muito grande (no meu caso já é viver a 4). A minha vida seria muito diferente (para pior) se não tivesse o meu marido. Mesmo nos momentos maus é assim. Estar com ele é sempre melhor do que estar sem ele.
E não querendo ser mal amada (como a minha mãe foi) também não quero não saber amar. Porque é muito fácil esquecermos-nos de que existe ali alguém ao nosso lado que quer ser amado, acarinhado, mimado. Tal como nós. Não podemos dar as relações como  algo adquirido. E há que trabalhar. Há que não desmazelar (pelo menos não muitas vezes). 
Não sei o que o futuro me reserva. O mundo está repleto de gajas mais giras, menos problemáticas e menos flácidas do que eu. 
Mas para já, ca ando, a viver e a tentar ser o mais feliz possível. Há dias muito bons e outros uma grande nheca. Mas há que tentar: insiste e não desiste.

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