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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


16
Mai14
Nem de propósito hoje almocei com uma das minhas grandes amigas que, assim como eu, tem duas crias: um rapaz um ano mais novo do que o Henrique e uma rapariga 3 anos mais velha do que a Alice. E apesar das muitas outras coisas que tínhamos para falar (assunto não nos falta, graças a Deus), a verdade é que acabámos por passar grande parte do nosso almoço a falar dos filhos, das exigências que fazemos, do facto de passarmos muito tempo a ralhar com eles e de como isso nos torna mais vulneráveis, tristes... descontentes com o nosso trabalho de mães.
Nenhuma de nós tem uma varinha de condão ou um livro de instruções que nos permita saber exactamente qual a receita a aplicar em determinada situação. A educação de um filho, como muitas outras coisas na nossa vida, é feita por tentativa e erro. Tendo como premissa que cada um de nós tem uma lista de valores morais pela qual tenta reger a sua vida, o resto é tentar. Tentar sempre fazer o melhor, tendo a consciência que muitas vezes falhámos e muitas outras ainda havemos de falhar.
Dizia-me esta amiga que lhe custa passar metade do dia a ralhar com o filho mais velho. Passa-se o mesmo comigo e acho que com muitas outras mães que conheço.
Ser exigente não é uma coisa má. Levar essa exigência ao extremo claro que é, mas estamos aqui a falar de coisas como arrumar a roupa, fazer os trabalhos de casa, não mentir, lavar os dentes, sentar-se direito à mesa... tudo exigências, a meu ver, elementares.
Dizia-me ela que com ela não se passava nada disto. Que sabia perfeitamente o que tinha de fazer. Também eu, mas eu fui criada de uma forma que não quero para os meus filhos. Muitas palmadas, um baixíssimo grau de tolerância. Lá em casa não se falava à mesa, crianças não tinham opinião... o respeito pelos pais era muito à base do medo que se tinha deles.
Nós quisemos fazer diferente, dar a palavra, ouvir a criança, a sua opinião... o que, em teoria, está correcto. Mas é preciso que a criança saiba que não é ela quem manda e que há uma hierarquia. E contra mim falo. Eu gostava de ser uma daquelas mães dos filmes, que têm a palavra certa para cada ocasião, que cegam a casa e brincam com os filhos, está tudo feito, é só paz e harmonia... mas não sou, assim como esta minha amiga também não é.
Depois de muito conversar chegámos a conclusão que vivemos enfiadas neste colete de forças que é a culpa. A culpa de não estarmos com eles tempo suficiente, nem tempo com qualidade suficiente. Sempre com coisas para gerir, sempre de telemóvel na orelha, sempre de mail aberto. (somos as duas empresárias e por isso não temos horário de trabalho definido). E depois queremos colmatar essa culpa com coisas giras e actividades espectaculares e  aí entra o ballet, e a música, e o futebol, e a natação e a ida aqui e ali, mais os jogos e as consolas, os cromos e a televisão. E depois eles ficam a pensar que a vida é muito mais interessante do que a escola. E a escola é só uma coisa chata e obrigatória que se tem de fazer no meio das outras muitas solicitações...
Não sei se será bem assim. Como em tudo não há verdades absolutas mas talvez a verdade esteja algures aqui no meio, na conjugação destes e outros factores.
A verdade é que os miúdos, os nossos miúdos, andam muito dispersos, a verdade é que nos sentimos culpadas por andarmos sempre à turra e à massa com eles... e ficamos muitas vezes com a sensação que não estamos a fazer grande trabalho como educadoras.
Mas educar é mesmo assim, tentativa e erro. E às vezes também acertamos...
O almoço acabou, porque o que é bom acaba cedo. A conversa, essa ficou pela rama. Mas um destes dias voltamos à carga e sabe-se lá qual será o tema.

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16
Mai14

Ainda o satisfaz

por Princesa das estrelas
Talvez eu estivesse muito cansada, talvez não me tenha explicado bem.
Ponto prévio: cada um (neste caso, cada pai/mãe, de preferência os dois em conjunto) sabe o que é melhor para os seus filhos.
O que aqui escrevi foi um desabafo de mãe que me parece perfeitamente razoável. Eu tenho um filho que é bom aluno. Mas que é muito muito preguiçoso. Por ele passava a vida a fazer pulseiras de elásticos, a jogar playstation e a ver televisão. E eu não quero isso. Quero mais e estou no meu direito, ou não? Eu quero que ele se esforce, que perceba que estudar é o seu trabalho. Não quero que ande a marrar nos livros como um perdido, ou que viva a pensar que tem de ser o melhor em tudo o que faz. NÃO ACHO MESMO. Mas daí a ter 54% num teste, vai uma grande diferença.
Que me desculpem as pessoas que aqui deixaram comentários a dizer que eu devia era estar caladinha porque não tenho um filho com necessidades educativas especiais. Na verdade, se me colocam as coisas assim, nesses termos... mas parece-me um bocadinho exagerado, não?

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