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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


27
Mai11

the big picture

por Inês P Queiroz
Eu sei que eles não fazem por mal. Os médicos que me seguem são excelentes, a sério. Mas vivem no seu burgo, olham para a sua capela, raramente olham para o quadro geral. Não é por mal, é mesmo defeito de fabrico. Excepção feita aos internistas e a um ou outro mais atento e interessado.
Desde que fui operada que tenho caimbras muito dolorosas. E quando digo dolorosas falo daquelas que nos fazem acordar a meio da noite a chorar. E em sítios estranhos. Não apenas nos pés e nas pernas mas também no diafragma, E estas são do catarino porque não me deixam respirar e porque é muito difícil esticar essa zona. Só fazendo a ponte! Também tenho muitos gases na barriga e na zona do diafragma e estes já me levaram as urgências, tantas eram as dores.
A resposta é quase sempre a mesma: magnésio para as caimbras, aero-om para os gases. Mas já lá vão 6 anos e as melhoras não aparecem. Sim, estou viva, sim estou livre de doença... mas não há mesmo nada a fazer?
Talvez não... ou talvez haja.
Foi preciso escangalhar o meu pé para conhecer as terapeutas Vera e Margarida. E hoje, juro, hoje só não abracei uma delas a chorar de alegria por vergonha.
Depois do pé e dos gémeos da perna esquerda, a terapeuta Margarida, depois de lhe ter dito o estranho local onde tinha caimbras, decidiu mexer no meu diafragma. E fez maravilhas, juro que fez. E mostrou-me que não tenho de viver com estas dores, com este mau-estar.
Deixem-me ir à próxima consulta de fisiatria que logo vêem o que vou pedir ao médico: as mãos da terapeuta espetadas no meu diafragma...
Escrevo sobre isto porque durante anos achei que estas dores eram o preço apagar por estar bem e viva. Mas não, eu não tenho de pagar este preço e imagino a quantidade de pessoas que por aí há a sofrer, a ter dores desnecessariamente. Se alguém nessas condições me lê, não desista, queixe-se ao seu médico, faça qualquer coisa.
Eu, no que a mimme diz respeito, tive hoje uma dia muito feliz.

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12
Mai11

Fases

por Inês P Queiroz
Quando eu era miúda achava-me invencível, insuperável, imortal, até certo ponto. A morte não entrava no meu vocabulário. A não ser um avô ou avó velhinhos.... ou um parente distante.
Depois fui crescendo e as mortes foram acontecendo...
Com o nascimento do meu filho, as coisas mudaram, a morte passou a assustar-me. A ideia de que lhe poderia faltar começou a assustar-me e a tirar-me o ar. Depois, bem depois veio a minha doença e a coisa complicou-se ainda mais.
Depois morreu o meu pai e comecei a perceber que estava a começar uma nova etapa, aquela em que começamos a ir a velórios com alguma frequência; aquela em que os pais dos nossos amigos começam a morrer.
Ontem morreu a mãe de uma grande amigo meu, daqueles de coração, aqueles que escolhemos já em adultos, que não são nossos amigos porque crescemos com eles mas porque nos identificamos com eles, partilhamos ideias, vivências, momentos.
Hoje vou ter de partilhar um momento doloroso com este meu amigo, este meu querido amigo que assim, do nada, perdeu a sua referência.
E percebo que este é só o início de uma nova era.

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08
Mai11

Abrir caminho

por Inês P Queiroz
Hoje, enquanto via a edição on-line do Público, deparei-me com uma notícia sobre os transplantes entre pessoas que não tem qualquer relação de sangue.
E, não podia deixar de me lembrar do meu médico, que foi quem fez, em Portugal, a primeira operação do género. O Dr. Pina morreu mas nós, doentes tratados por ele, estamos aqui e somos a prova viva da sua generosidade e dedicação.
Obrigada!

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04
Mai11

Respeito

por Inês P Queiroz
Há pouco tive a oportunidade de rever uma entrevista que o António Barreto deu à RTP e onde dizia uma coisa que, para mim, é lapidar. Dizia que os portugueses devem ser tratados com respeito pelos políticos, que não devem ser tratados como parvos. Que só assim poderemos voltar a confiar nas instituições democráticas. E eu não podia estar mais de acordo.
Eu, que tenho 35 anos, que abri a minha própria empresa, que contribuo activamente para o crescimento deste país. Eu, que não me isento das minhas obrigações de cidadã; que voto, que tento educar o meu filho para, ele próprio, respeitar e participar na sociedade que temos... senti-me, ontem à noite enquanto o nosso PM falava, tratada como uma parva.
E se há coisa que me deixa furiosa é isto: ser tratada como burra por um tipo que, esse sim, deixou de merecer o meu respeito há muito.

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02
Mai11

Novo dia

por Inês P Queiroz
O mundo não deixou de ser um lugar estranho, nem tão pouco passou a ser mais seguro. Quem leu o mínimo sobre o terrorismo sabe que ele sobrevive aos seus líderes e que atrás de um Bin Laden virá outro tão ou mais mortal, tão ou mais ameaçador. Mas a morte de Bin Laden vale, sobretudo, pela sua carga simbólica. Pelo que representa para os muitos familiares das vítimas dos atentados do 11 de Setembro, ou dos atentados de Londres, ou da Atocha. Por eles vale a pena um brinde.
Obrigada Barack.

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