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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


27
Fev09

Good vibe

por Inês P Queiroz
Hoje acordei tarde.... foi uma correria para conseguir sair de casa a uma hora decente.
Mas estou com good vibe, como se algo de bom se avizinhasse.
Pode ser que seja verdade.

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19
Fev09

Família feliz

por Inês P Queiroz

Ali está o avô António, no meio dos seus netos, a azul. Com umas orelhas no cimo da cabeça.
"Está feliz, não vês mãe? Está comigo, com o primo Tiago e com o primo Diogo."
Posted by Picasa

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18
Fev09

And my oscar goes to...

por Inês P Queiroz

Desculpem-me os fãs de Quem quer ser Bilionário, desculpem-me os interessados em Frost/Nixon, desculpem-me os seguidores do fabuloso Sean Penn, mas o meu Oscar vai para este maravilhoso filme, este soco no estômago, esta formidável Kate Winslet. Quanto mais penso no filme, mais ligada me sinto. E não esperem um filme fácil, porque não o é. Longe disso. Não há bons nem vilões, apenas pessoas capazes de tudo, como qualquer um de nós. E há esta mulher, esta intrigante mulher que faz o que tem a fazer sem questionamentos; é uma mulher que realiza o seu trabalho seja ele qual for sem a mínima mancha na consciência, porque é uma mulher que cumpre o seu dever. Mas que nunca admitirá a sua maior vergonha: ser analfabeta. E foi aqui, no poder da palavra escrita e falada, que me encontrei e que muito chorei.

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18
Fev09

Afinal sou bem resolvida

por Inês P Queiroz




Vamos lá a ver se consigo fazer isto

A minha amiga Lina acha que eu sou uma gaja bem resolvida. E quem sou eu para a contrariar?

Agora, encontrar mais 10 mulheres bem resolvidas? Vou pensar no assunto que não é tarefa fácil

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16
Fev09

Fim-de-semana em Madrid

por Inês P Queiroz
Sobrevivemos. é o que me apraz dizer.Não foi mau, não houve mortes, não houve feridos. Apenas os precalços de viajar com uma criança de quatro anos. E, se há momentos em que ele parece muito crescido, outros há em que só temos vontade de o enfiar dentro de uma caixa e despachar no avião seguinte. A vida como ela é, contada em algumas linhas.

Para começar o Hotel era uma merda. As paredes eram tão finas que se ouvia as pessoas do quarto ao lado a falar. A falar e não só, mas já lá vamos.

A quinta-feira foi maravilhosa. O Henrique dormiu duas horas no carrinho eu e pai passeámos bastante e fomos jantar a um restaurante do qual gosto particularmente. Ao chegar ao hotel o caso mudou de figura. O andar onde estávamos tinha sido invadido por uma turma de liceu que passou a noite a gritar de quarto para quarto. Telefonei três vezes para a recepção e apareci no meio do corredor disposta a matar o primeiro adolescente que se cruzasse no meu caminho. Não me adiantou de muito. Umas desculpas aqui, um sorrisinho ali.
É o que dá não ter dinheiro para ficar no Ritz.
Na sexta de manhã eu estava um ano mais velha e com uma terrível dor de cabeça quando o meu petiz diz ao pai "doi-me a barriga. Parece que tenho gás aqui dentro". Foi o tempo de chegar à casa de banho (mas não à sanita) e vomitar todo o jantar do dia anterior. E ficou, coitado, durante uma hora com o rabo colado à sanita com uma diarreia tremenda. A sexta-feira foi, como se pode imaginar, de fugir. Rabujento, mal disposto... mas, mesmo assim, muito aguentou. Andou pela cidade no seu carrinho vermelho, foi ao Prado ver a exposição do Bacon e ainda consegui introduzi-lo ao universo do Goya (o preferido da mãe) e do Velasquez (do lado do pai). e chegámos ao fim do dia a pensar que o melhor seria regressar a Lisboa. Estar em Madrid (cidade que não é propriamente conhecida pelo peixe grelhado acompanhado com arroz branco) com uma criança doente não é o sonho de qualquer família.
Noite de sexta, mais uma sessão no hotel. Desta feita de sexo. E digo-vos, parecia que a menina do quarto ao lado ia sentar-se ao meu colo a qualquer instante. Acordei, depois de duas parcas horas de sono, com vontade de esborrachar o mundo ao tabefe. Desculpem lá, mas fico verdadeiramente impossível quando não durmo.
Mas nem tudo estava assim tão mau. O Henrique acordou bem disposto e a barriga estava "maravilha", segundo o próprio. Museu do bombeiro, parque de diversões, passeio de barco no Retiro e a coisa ficou feita. No voo de regresso ainda houve tempo para uma birra causada já nem me lembro porquê. E um desenho, um desenho lindo onde estava o avô António. Já que estávamos no céu, o avô devia estar a ver-nos, disse ele.
Não foi um fim-de-semana perfeito. Não foi, mas foi o melhor que se conseguiu, o que já não é nada mau. E não o trocava por nada.
E ainda tive direito a um lindo vestidinho preto.

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16
Fev09

A melhor de todas as prendas

por Inês P Queiroz


Foi-me dada pelo meu filho (com a mão do pai por trás, como é evidente). Assim, logo na manhã de dia 12, ainda mal tinha acordado. E comovi-me verdadeiramente com este livro e com a sua inocência ao entregar-mo e ao dizer-me "era este que te queríamos dar no Natal, mas estava esgotado."

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11
Fev09

vou ali

por Inês P Queiroz
E já venho.
Agora que cortei o cabelo já estou preparada para os meus 33.

Amanhã, em Madrid, com o filho e o marido. Olé!

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10
Fev09

sou uma mole... a verdade é essa

por Inês P Queiroz
Dei-lhe uma grande reprimenda e, na verdade, perdi muita da confiança que tinha nela.
Mas acabei por não despedir a minha empregada.
Quando a vi de lágrimas nos olhos a prometer que nunca mais faria uma coisa daquelas e a dizer-me que era a primeira vez que falhava... deixei-a ficar. A verdade é que gosto dela. é calma, serena, trata bem o meu filho, nunca me roubou um alfinete que fosse...
Estou a ficar uma mole, essa é que é essa.

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09
Fev09

4 meses

por Inês P Queiroz
Há datas tristes, que não gosto de recordar. Há dias que são cinzentos na minha contabilidade da vida. O dia 9 passou a ser um dia triste a partir de 9 de Outubro de 2008, o dia em que morreste, pai. Já lá vão quatro meses, 123 dias sem a tua presença. Achei que gostarias de saber como temos passado aqui sem ti. A vida não é a mesma, não te posso mentir. Há um vazio grande que não se consegue preencher. Mas vamos vivendo e tentando preencher esse imenso buraco (que espero venha a ficar mais pequeno) com memórias dos muitos bons momentos que passámos juntos enquanto família. E também com alguns maus momentos que a vida é mesmo assim e nós não podemos branquear o nosso passado, não achas?
A mãe, como tu bem sabes, é uma lutadora. Irra, aquela mulher é de aço. às vezes pergunto-me como aguenta. Consigo ver o seu cansaço e a sua imensa tristeza. Perdeu-te e tu eras o seu porto de abrigo, o seu amor de quase 40 anos. Mas quando falo da sua força e da sua garra refiro-me ao esforço que ela faz para, assim mesmo, continuar a viver e a ter um propósito para tal. Ora siou eu, ora é o Henrque, ora é o mano... ela vai conseguindo ser o pilar desta família e mantem-nos, na medida do possível unidos. Às vezes falta-me a paciência, não te zangues com a minha sinceridade. Irrito-me com ela, respondo-lhe torto. Mas é que me sinto cansada de tanta tristeza, de tanto ouvir e de tão pouco poder chorar. Fico impaciente quando ela repete 10 vezes a mesma coisa ou quando me ralha porque a caixa da sopa está fora do frigorífico há mais de uma hora e a sopa vai azedar. Mas não fiques muito preocupado, que eu tento conter-me e, no fundo, sabes que a amo. é a única que me resta depois de teres morrido.
Eu também tenho os meus dias. Há dias em que tudo corre bem e tu és apenas uma doce lembrança. Mas há outros, pai, em que me fazes tanta falta que até me doi o peito. Ontem, por exemplo, fui à feira com a mãe. E quando ela entrou no carro tive tanta vontade de gritar. Ela tinha posto o teu perfume e, por um breve segundo, parecia-me que estavas ali, ao meu lado. Fiquei tensa, de olhos mareados, porque aquele erao teu cheiro, só teu, do perfume que eu te ofereci. Não me apetece que mais ninguém tenha o teu cheiro, pai. Mas não tenho coragem de o dizer à mãe, porque acho que o faz para se sentir mais perto de ti.
Mas eu estou bem, não te preocupes. A sério.
O mano foi quem mais se abalou com a tua morte. Ainda está muito incondormado porque acha que se podia ter evitado, que ainda podias estar vivo, se não tivesses feito aquele exame, se o contraste não se tivesse espalhado no teu corpo, se não tivesse ficado com uma sepsis... tu sabes que eu penso de forma diferente, que acho que te foste porque assim o decidiste. Mas ele vive preso nessa tormenta. Muito preso.
Quem em tem preocupado ultimamente é o Henrique. De vez em quando chora e diz que tem saudades do avó António. Eu confesso-te que não sei muito bem como lidar com isto. Ontem, por exemplo, desatou a chorar a dizer que te queria. Expliquei-lhe, da melhor forma que sei, que tinhas morrido, que já só exisitias no nosso coração. Mas ele não se convenceu e disse-me que eu era má e que a avó Emília não lhe dizia o mesmo que eu. Vê lá tu, pai. Telefonei à mãe a perguntar-lhe como é que ela o consolava quando ele perguntava por ti e ela respondeu-me que lhe diz que tu estás no céu a olharpara ele e que ficas muito feliz quando se porta bem. Tu sabes pai, que isso é um bocadinho demais para mim. Bem sabes o que me custa dizer-lhe que és uma estrela no céu... mas percebi que essa explicação o deixa mais feliz.
Já passaram muitas datas importantes sem ti, pai. os anos do mano, os anos do Filipe, o Natal, o Ano Novo... esta semana é o meu aniversário... o primeiro sem ti. Tenho de aprender a lidar com esta montanha russa de emoções. Tu sabes que desde que fiquei doente que gosto particularmente de festejar o meu aniversário. Só que sem ti, pai, sem ti é tão vazio e desprovido de sentido. Porque a contabilidade tem duplo sentido; mais um ano e mais um dia sem ti...
Depois conto-te como foi. e prometo que vou fazer uma lista de coisas boas e felizes que aconteceram neste quatro meses, para que fiques mais feliz.

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09
Fev09

4 meses

por Inês P Queiroz
Há datas tristes, que não gosto de recordar. Há dias que são cinzentos na minha contabilidade da vida. O dia 9 passou a ser um dia triste a partir de 9 de Outubro de 2008, o dia em que morreste, pai. Já lá vão quatro meses, 123 dias sem a tua presença. Achei que gostarias de saber como temos passado aqui sem ti. A vida não é a mesma, não te posso mentir. Há um vazio grande que não se consegue preencher. Mas vamos vivendo e tentando preencher esse imenso buraco (que espero venha a ficar mais pequeno) com memórias dos muitos bons momentos que passámos juntos enquanto família. E também com alguns maus momentos que a vida é mesmo assim e nós não podemos branquear o nosso passado, não achas?
A mãe, como tu bem sabes, é uma lutadora. Irra, aquela mulher é de aço. às vezes pergunto-me como aguenta. Consigo ver o seu cansaço e a sua imensa tristeza. Perdeu-te e tu eras o seu porto de abrigo, o seu amor de quase 40 anos. Mas quando falo da sua força e da sua garra refiro-me ao esforço que ela faz para, assim mesmo, continuar a viver e a ter um propósito para tal. Ora siou eu, ora é o Henrque, ora é o mano... ela vai conseguindo ser o pilar desta família e mantem-nos, na medida do possível unidos. Às vezes falta-me a paciência, não te zangues com a minha sinceridade. Irrito-me com ela, respondo-lhe torto. Mas é que me sinto cansada de tanta tristeza, de tanto ouvir e de tão pouco poder chorar. Fico impaciente quando ela repete 10 vezes a mesma coisa ou quando me ralha porque a caixa da sopa está fora do frigorífico há mais de uma hora e a sopa vai azedar. Mas não fiques muito preocupado, que eu tento conter-me e, no fundo, sabes que a amo. é a única que me resta depois de teres morrido.
Eu também tenho os meus dias. Há dias em que tudo corre bem e tu és apenas uma doce lembrança. Mas há outros, pai, em que me fazes tanta falta que até me doi o peito. Ontem, por exemplo, fui à feira com a mãe. E quando ela entrou no carro tive tanta vontade de gritar. Ela tinha posto o teu perfume e, por um breve segundo, parecia-me que estavas ali, ao meu lado. Fiquei tensa, de olhos mareados, porque aquele erao teu cheiro, só teu, do perfume que eu te ofereci. Não me apetece que mais ninguém tenha o teu cheiro, pai. Mas não tenho coragem de o dizer à mãe, porque acho que o faz para se sentir mais perto de ti.
Mas eu estou bem, não te preocupes. A sério.
O mano foi quem mais se abalou com a tua morte. Ainda está muito incondormado porque acha que se podia ter evitado, que ainda podias estar vivo, se não tivesses feito aquele exame, se o contraste não se tivesse espalhado no teu corpo, se não tivesse ficado com uma sepsis... tu sabes que eu penso de forma diferente, que acho que te foste porque assim o decidiste. Mas ele vive preso nessa tormenta. Muito preso.
Quem em tem preocupado ultimamente é o Henrique. De vez em quando chora e diz que tem saudades do avó António. Eu confesso-te que não sei muito bem como lidar com isto. Ontem, por exemplo, desatou a chorar a dizer que te queria. Expliquei-lhe, da melhor forma que sei, que tinhas morrido, que já só exisitias no nosso coração. Mas ele não se convenceu e disse-me que eu era má e que a avó Emília não lhe dizia o mesmo que eu. Vê lá tu, pai. Telefonei à mãe a perguntar-lhe como é que ela o consolava quando ele perguntava por ti e ela respondeu-me que lhe diz que tu estás no céu a olharpara ele e que ficas muito feliz quando se porta bem. Tu sabes pai, que isso é um bocadinho demais para mim. Bem sabes o que me custa dizer-lhe que és uma estrela no céu... mas percebi que essa explicação o deixa mais feliz.
Já passaram muitas datas importantes sem ti, pai. os anos do mano, os anos do Filipe, o Natal, o Ano Novo... esta semana é o meu aniversário... o primeiro sem ti. Tenho de aprender a lidar com esta montanha russa de emoções. Tu sabes que desde que fiquei doente que gosto particularmente de festejar o meu aniversário. Só que sem ti, pai, sem ti é tão vazio e desprovido de sentido. Porque a contabilidade tem duplo sentido; mais um ano e mais um dia sem ti...
Depois conto-te como foi. e prometo que vou fazer uma lista de coisas boas e felizes que aconteceram neste quatro meses, para que fiques mais feliz.

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06
Fev09

moralmente falando

por Inês P Queiroz



Há muito que me sinto incomodada com isto mas, por um motivo ou por outro nunca aqui escrevi sobre este assunto. E agora, com o fantasma da crise cada vez mais sobre as nossas cabeças, aqui vai disto.

Acho inacreditável que, num país onde a taxa de endividamento das famílias com créditos e mais créditos chega a números assustadores, uma figura pública como a Júlia Pinheiro aceite ser o rosto de uma destas empresas.

É ilegal? Não. Mas parece-me imoral. Ela que anda no seu programa a pedir dinheiro para as famílias pobres, aparece-me depois de kimono azul forte com a solução para todos os nossos problemas...

Será que não podia optar antes por um anúncio de um detergente de roupa?

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06
Fev09

moralmente falando

por Inês P Queiroz



Há muito que me sinto incomodada com isto mas, por um motivo ou por outro nunca aqui escrevi sobre este assunto. E agora, com o fantasma da crise cada vez mais sobre as nossas cabeças, aqui vai disto.

Acho inacreditável que, num país onde a taxa de endividamento das famílias com créditos e mais créditos chega a números assustadores, uma figura pública como a Júlia Pinheiro aceite ser o rosto de uma destas empresas.

É ilegal? Não. Mas parece-me imoral. Ela que anda no seu programa a pedir dinheiro para as famílias pobres, aparece-me depois de kimono azul forte com a solução para todos os nossos problemas...

Será que não podia optar antes por um anúncio de um detergente de roupa?

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05
Fev09

um 20 redondinho

por Inês P Queiroz
Fiz 20 quilómetros; dez até casa e mais dez de regresso ao trabalho, mas valeu a pena.
Fiz 20 quilómetros para ir a casa almoçar. E valeu a pena, não valeu mãe? Porque almoçámos as duas, falámos dos preços do Minipreço, dos problemas da empregada (despedimos ou não despedimos), do quanto tu já limpaste e passaste esta semana, da birra do Henrique esta manhã... e sei lá mais de quantas coisas. Esta hora e estes 20 quilómetros valeram ouro: estivémos juntas, só as duas.
Obrigada
Amanhã voltamos a repetir

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05
Fev09

um 20 redondinho

por Inês P Queiroz
Fiz 20 quilómetros; dez até casa e mais dez de regresso ao trabalho, mas valeu a pena.
Fiz 20 quilómetros para ir a casa almoçar. E valeu a pena, não valeu mãe? Porque almoçámos as duas, falámos dos preços do Minipreço, dos problemas da empregada (despedimos ou não despedimos), do quanto tu já limpaste e passaste esta semana, da birra do Henrique esta manhã... e sei lá mais de quantas coisas. Esta hora e estes 20 quilómetros valeram ouro: estivémos juntas, só as duas.
Obrigada
Amanhã voltamos a repetir

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04
Fev09

10.41

por Inês P Queiroz
Foi o número que me deixou a sorrir.

Fui almoçar com um amigo ao Chiado, um luxo cada vez mais raro. Não só o de ir ao Chiado, mas o de ter tempo para os meus amigos. À saída parei na Casa da Sorte e lá fui entregar o meu talão do euromilhões. Raramente jogo e quase sempre deito os talões fora sem verificar se ganhei alguma ocoisa. 10,41 euros. Quer voltar a jogar? Eu não, quero o dinheiro para bilhetes de metro em Madrid.

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04
Fev09

10.41

por Inês P Queiroz
Foi o número que me deixou a sorrir.

Fui almoçar com um amigo ao Chiado, um luxo cada vez mais raro. Não só o de ir ao Chiado, mas o de ter tempo para os meus amigos. À saída parei na Casa da Sorte e lá fui entregar o meu talão do euromilhões. Raramente jogo e quase sempre deito os talões fora sem verificar se ganhei alguma ocoisa. 10,41 euros. Quer voltar a jogar? Eu não, quero o dinheiro para bilhetes de metro em Madrid.

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04
Fev09
Pois é, a minha Chica revelou-se falível. Ontem, ao fim de mais um dia sem me dar cavaco, decidi enviar-lhe uma sms a perguntar se ela achava normal o que estava a acontecer. E foi só assim que, às 7 da tarde, a minha empregada se dignou a entrar em contacto comigo para me dizer, com o ar mais natural do mundo, que estava de baixa. E que tal avisar-me antes? E que tal enviar um Call me? O que me revolta em toda esta situação, é o desprendimento com que as pessoas fazem as coisas, como se não tivesse gravidade nenhuma, como se tudo se resumisse a direitos e nunca a deveres. "Acho melhor falarmos na segunda-feira", disse-me ela para terminar a conversa. E naquele momento, sem um pedido de desculpas, sem um "isto nunca mais volta a acontecer", sem um "eu vou amanhã a sua casa para conversarmos", percebi que algo na minha vida vai mudar drasticamente. A começar pela empregada.

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04
Fev09
Pois é, a minha Chica revelou-se falível. Ontem, ao fim de mais um dia sem me dar cavaco, decidi enviar-lhe uma sms a perguntar se ela achava normal o que estava a acontecer. E foi só assim que, às 7 da tarde, a minha empregada se dignou a entrar em contacto comigo para me dizer, com o ar mais natural do mundo, que estava de baixa. E que tal avisar-me antes? E que tal enviar um Call me? O que me revolta em toda esta situação, é o desprendimento com que as pessoas fazem as coisas, como se não tivesse gravidade nenhuma, como se tudo se resumisse a direitos e nunca a deveres. "Acho melhor falarmos na segunda-feira", disse-me ela para terminar a conversa. E naquele momento, sem um pedido de desculpas, sem um "isto nunca mais volta a acontecer", sem um "eu vou amanhã a sua casa para conversarmos", percebi que algo na minha vida vai mudar drasticamente. A começar pela empregada.

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03
Fev09
Há dias assim, em que me questiono se não vim de Marte, por achar que certas atitudes simplesmente não são normais.
A minha empregada é uma pessoa muito importante lá em casa. Mais do que limpar ou passar, a minha empregada vai buscar o meu filho à escola e toma conta dele. é alguém em quem confio, ou melhor, era.
Quando confiamos o nosso filho a outra pessoa deixa de ser muito importante se ela é uma rainha a passar a ferro ou se limpa a casa de banho como a minha mãe. As prioridades são outras. O importante é sentirmos que o nosso filho está bem entregue e é bem tratado. Por isso fui desculpando pequenos deslizes à Chica e por isso a trato bem, muito bem.
Na passada quinta-feira a minha empregada foi tirar um quisto que tinha no ombro. Para começar avisou-me de véspera. Depois não me disse se era uma operação grande ou pequena, se ia ficar em casa a repousar ou não. Eu, cheia de peso na consciêcia, liguei-lhe na sexta-feira ao fim da manhã a dizer-lhe para ficar em casa a descansar que eu me arranjaria e ia buscar o Henrique à escola. Ela (a menos de duas horas de, supostamente, começar a trabalhar na minha casa responde que na verdade não ia trabalhar na sexta porque tinha de ir ao centro de saúde. Logo ali fiquei um bocadinho incomodada. E se eu não lhe tivesse ligado a dizer para ficar em casa? A que horas é que ela me ia avisar que não ia trabalhar? Ou será que não me iria sequer avisar? Passei à frente mas fiquei a matutar na ida ao Centro de Saúde. O que iria ela lá fazer? Pedir baixa? Eu sei que ela tem direito a baixa, é para isso que eu faço os seus descontos para a Segurança Social, mas não queria acreditar que, estando a pensar meter baixa ela não me fosse avisar. Assim como assim, e antecipando uma surpresa desagradável, enviei-lhe um sms a perguntar se ia trabalhar na segunda ou se ia meter baixa. Não me respondeu...
No sábado ao fim da tarde lá me ligou, a dizer que tinha baixa até ao dia 8 de Fevereiro mas, como não tinha dores, que ia trabalhar na segunda-feira e que faria o que conseguisse. Agradeci-lhe e expliqui-lhe que a mim não me preocupava a casa, apenas me preocupava que ela fosse buscar o Henrique e que tomasse conta dele. O resto ia-se fazendo. Ela o que conseguisse e eu o resto. E fiz questão de sublinhar que se, por acaso, acontecesse alguma coisa, para ela me avisar durante o domingo porque se ela não fosse trabalhar eu tinha de sair mais cedo para ir buscar o meu filho à escola. "Esteja descansada que se acontecer alguma coisa eu aviso no domingo".
Ok, dois anos lá em casa eu achei que fosse o suficiente para poder confiar nela.
E ontem vim trabalhar descansada. E quando chego a casa, quase sete da tarde, e ponho a chave à porta, sinto que não está ninguém do outro lado. Nem Henrique, nem Chica nem nada. Telefono para a escola em pânico. O Henrique estava lá. Procurei, em vão, no meu telefone a mensagem da Chica onde ela dizia que tinha acontecido algo e que não podia ir trabalhar.
Tentei ligar-lhe, não me atendeu.
Deixei-lhe um sms a pedir que me ligasse urgentemente. Ainda não o fez.
E agora? Estou capaz de a matar. Ou entrou em coma ou não tem desculpa.
Acho que vou voltar às tarefas domésticas.

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