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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


29
Mar07

56

por Inês P Queiroz
Ontem comemorámos o ano 56. Fizeste 56 anos. Nunca os tinhas passado numa cama de hospital. E eu pensei que tu nem sequer passarias por eles. Não sei se o termo comemorar é o mais indicado no teu caso.
Claro que estou feliz por estares vivo. Mas este ano não devia ser comemorado. Devia antes ser ignorado. O ano em que tanto sofreste, em que foste tão mutilado... é bom que ainda cá estejas, entende-me. Eu não te desejo a morte. Pelo menos, não agora. Já ta desejei. E não há muito tempo, acredita-me.
Agora conforta-me saber que lutas, que queres viver, mesmo que não seja por muito tempo.
De qualquer forma, continuo a achar que a entrada nos teus 56 não merece comemorações.

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29
Mar07

56

por Inês P Queiroz
Ontem comemorámos o ano 56. Fizeste 56 anos. Nunca os tinhas passado numa cama de hospital. E eu pensei que tu nem sequer passarias por eles. Não sei se o termo comemorar é o mais indicado no teu caso.
Claro que estou feliz por estares vivo. Mas este ano não devia ser comemorado. Devia antes ser ignorado. O ano em que tanto sofreste, em que foste tão mutilado... é bom que ainda cá estejas, entende-me. Eu não te desejo a morte. Pelo menos, não agora. Já ta desejei. E não há muito tempo, acredita-me.
Agora conforta-me saber que lutas, que queres viver, mesmo que não seja por muito tempo.
De qualquer forma, continuo a achar que a entrada nos teus 56 não merece comemorações.

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26
Mar07

Percepções

por Inês P Queiroz
Fui ver-te. Estavas igual aos últimos dias. Foi uma visita em tudo similar às anteriores. O que mudou foi a minha percepção da realidade. O que antes era um cenário mais idílico, em que sonhava com possíveis recuperações e uma vida a médio prazo, passou a ser muito mais limitado. O tempo passou a ter outro valor. Cada segundo que passo contigo é mais precioso que o anterior. Foi isso que mudou. A importância que lhe atribuo. Ao tempo, as horas, aos minutos, aos dias. Tu estás igual, sem grandes receios, sem grandes ansiedades ou medos (para além dos muitos que já tinhas, é verdade).
Mas essa visão de que só em nós tudo mudou apazigua-me.

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26
Mar07

Percepções

por Inês P Queiroz
Fui ver-te. Estavas igual aos últimos dias. Foi uma visita em tudo similar às anteriores. O que mudou foi a minha percepção da realidade. O que antes era um cenário mais idílico, em que sonhava com possíveis recuperações e uma vida a médio prazo, passou a ser muito mais limitado. O tempo passou a ter outro valor. Cada segundo que passo contigo é mais precioso que o anterior. Foi isso que mudou. A importância que lhe atribuo. Ao tempo, as horas, aos minutos, aos dias. Tu estás igual, sem grandes receios, sem grandes ansiedades ou medos (para além dos muitos que já tinhas, é verdade).
Mas essa visão de que só em nós tudo mudou apazigua-me.

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23
Mar07

Normalidade

por Inês P Queiroz
Tento viver com alguma normalidade. Digo alto e pausadamente NOR MA LI DA DE.
Levanto-me pela manhã, bem cedo. Trato de mim, trato do filho, tomo o pequeno-almoço. Vou para o trabalho. Procuro nas caras dos desconhecidos algumas pistas das suas vidas. Procuro na luz do Tejo algum contentamento. Sento-me aqui, todos os dias, até ao bater das 18h.
E faço o caminho de regresso: comboio, metro, casa, brincadeiras , banho, caderneta do Bob o Construtor, jantar, uma história, um pouco de televisão e a cama. Onde procuro o sono. Uns dias a procura é mais demorada que em outros.
Tento viver com alguma normalidade.
Mas já nem sei bem o que isso é. Voltei a dormir de telemóvel ligado. Voltei a ter sobressaltos a meio da noite. Voltei a pensar se tenho ou não coragem de te ir visitar, de te olhar nos olhos e dizer que vai ficar tudo bem, mesmo sabendo que te estou a mentir.
Afinal, o que é a normalidade? O que é que para mim seria normal numa altura destas? O que eu quero e o que acho melhor nem sempre são pensamentos coincidentes.
O que queria viver e o que vivo também nem sempre coincidem. Ultimamente então...

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23
Mar07

Normalidade

por Inês P Queiroz
Tento viver com alguma normalidade. Digo alto e pausadamente NOR MA LI DA DE.
Levanto-me pela manhã, bem cedo. Trato de mim, trato do filho, tomo o pequeno-almoço. Vou para o trabalho. Procuro nas caras dos desconhecidos algumas pistas das suas vidas. Procuro na luz do Tejo algum contentamento. Sento-me aqui, todos os dias, até ao bater das 18h.
E faço o caminho de regresso: comboio, metro, casa, brincadeiras , banho, caderneta do Bob o Construtor, jantar, uma história, um pouco de televisão e a cama. Onde procuro o sono. Uns dias a procura é mais demorada que em outros.
Tento viver com alguma normalidade.
Mas já nem sei bem o que isso é. Voltei a dormir de telemóvel ligado. Voltei a ter sobressaltos a meio da noite. Voltei a pensar se tenho ou não coragem de te ir visitar, de te olhar nos olhos e dizer que vai ficar tudo bem, mesmo sabendo que te estou a mentir.
Afinal, o que é a normalidade? O que é que para mim seria normal numa altura destas? O que eu quero e o que acho melhor nem sempre são pensamentos coincidentes.
O que queria viver e o que vivo também nem sempre coincidem. Ultimamente então...

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22
Mar07

Voltas

por Inês P Queiroz
Ando às voltas. Sinto-me perdida. Ontem entrei no comboio com a esperança de que a visão do mar me serenasse o espírito. Mas depressa o azul do mar foi substituído por deprimentes blocos de apartamentos, marquises de alumínio, roupa estendida sem critério, ruas sujas e tristes. E o que deveria ter sido um passeio higiénico acabou por ser uma triste constatação de que um subúrbio é sempre um subúrbio. Mesmo quando o mar está por perto.
Ando às voltas. Tento sair de mim e voltar a entrar, como um corpo estranho, para me poder ver com outros olhos, mas não consigo. Os olhos com que me vejo são os mesmos de sempre. Aqueles que vêem a angústia nos teus; aqueles que vêem a tristeza nos do mano, o desespero nos da mãe. Os meus olhos estão como eu, cansados. Precisavam de se fechar.

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22
Mar07

Voltas

por Inês P Queiroz
Ando às voltas. Sinto-me perdida. Ontem entrei no comboio com a esperança de que a visão do mar me serenasse o espírito. Mas depressa o azul do mar foi substituído por deprimentes blocos de apartamentos, marquises de alumínio, roupa estendida sem critério, ruas sujas e tristes. E o que deveria ter sido um passeio higiénico acabou por ser uma triste constatação de que um subúrbio é sempre um subúrbio. Mesmo quando o mar está por perto.
Ando às voltas. Tento sair de mim e voltar a entrar, como um corpo estranho, para me poder ver com outros olhos, mas não consigo. Os olhos com que me vejo são os mesmos de sempre. Aqueles que vêem a angústia nos teus; aqueles que vêem a tristeza nos do mano, o desespero nos da mãe. Os meus olhos estão como eu, cansados. Precisavam de se fechar.

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21
Mar07
Fez ontem um mês que ditaram o fim. Eu acreditei. Fiz o meu luto, preparei-me da forma que me foi possível preparar.
Depois fui surpreendida por uma força maior: a tua.
Só que as nossas forças não são ilimitadas. E quando parecia que a esperança era algo concreto e palpável, volta tudo para trás. Por uma coincidência foi ontem, um mês depois.
E agora?

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21
Mar07
Fez ontem um mês que ditaram o fim. Eu acreditei. Fiz o meu luto, preparei-me da forma que me foi possível preparar.
Depois fui surpreendida por uma força maior: a tua.
Só que as nossas forças não são ilimitadas. E quando parecia que a esperança era algo concreto e palpável, volta tudo para trás. Por uma coincidência foi ontem, um mês depois.
E agora?

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21
Mar07

Retrocesso

por Inês P Queiroz
Quando tudo parecia encaminhado voltámos a dar alguns passos atrás.
O medo paira novamente sobre as nossas cabeças. Mais sobre a tua...

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21
Mar07

Retrocesso

por Inês P Queiroz
Quando tudo parecia encaminhado voltámos a dar alguns passos atrás.
O medo paira novamente sobre as nossas cabeças. Mais sobre a tua...

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20
Mar07

Estado da Informação

por Inês P Queiroz
Hoje, ao abrir o clipping da empresa na qual trabalho, dei de caras com a notícia da morte de Ray-Gude Mertin. Mas como, pensei eu, se ela morreu a 13 de Janeiro?
Vi qual era a fonte de notícia, um portal do Minho, um tal mais actual e apressei-me a ligar para desfazer o engano. Resposta do outro lado: "Onde é que está mesmo a notícia? Na música? Vou já tirar, obrigadinha."
Não, sua ignorante, não está na música. a Ray-Güde era uma agente literária.
Mas mais do que ficar chocada com a ignorância da senhora em questão (a quem me recuso chamar jornalista), foi a facilidade com que me disse que retirava a notícia. Estava ali aquela como poderia estar qualquer outra, sem qualquer critério de rigor.

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20
Mar07

Estado da Informação

por Inês P Queiroz
Hoje, ao abrir o clipping da empresa na qual trabalho, dei de caras com a notícia da morte de Ray-Gude Mertin. Mas como, pensei eu, se ela morreu a 13 de Janeiro?
Vi qual era a fonte de notícia, um portal do Minho, um tal mais actual e apressei-me a ligar para desfazer o engano. Resposta do outro lado: "Onde é que está mesmo a notícia? Na música? Vou já tirar, obrigadinha."
Não, sua ignorante, não está na música. a Ray-Güde era uma agente literária.
Mas mais do que ficar chocada com a ignorância da senhora em questão (a quem me recuso chamar jornalista), foi a facilidade com que me disse que retirava a notícia. Estava ali aquela como poderia estar qualquer outra, sem qualquer critério de rigor.

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18
Mar07

Contabilidade

por Inês P Queiroz
Começo a perder a conta aos dias, o que me parece um bom princípio. Já faz quase um mês que ditaram a tua morte. E tu, casmurro como só tu sabes ser, decidiste que ainda não tinha chegado a tua hora e que, dependendo de ti, ainda havias de dar luta.
e sei que é assim que estás, a dar luta. Por mais que mantenhas os olhos fechados quando te visito, por mais cansado e cabisbaixo que te veja sei que, no teu íntimo, não baixaste os braços. Tu lutas, eu sinto-o, mas é difícil, penosamente difícil, manter o espírito 24 horas por dia.
Não é pai? Porque para ti os dias são todos iguais, as horas correrm a um ritmo muito próprio, muito lentamente... demasiado lentamente, posso adivinhar. Dias e noites devem-se confundir na tua memória... o teu calendário deve ser muito peculiar. Imagino o que marcará a evolção do teu tempo... como é que ele corre, como o contabilizas?
Até as visitassão sempre as mesmas...
Nunca foste de grandes conversa mas, agora que não mais voltarás a falar, imagino que tudo seja mais doloroso... ninguém com quem desabafares o que te via na alma... Estás privado de grande parte da tua vida, da tua rotina. Não comes, não falas, não vês os teus amigos, não estás em tua casa... não sabes se isto vai passar ou não....
Eu acredito que ainda tens muito para contar. Eu cá vou estar, a ler-te nos lábios, como gosto de fazer.
Um beijo do tamanho do mundo, e doces sonhos, pai.

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18
Mar07

Contabilidade

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Começo a perder a conta aos dias, o que me parece um bom princípio. Já faz quase um mês que ditaram a tua morte. E tu, casmurro como só tu sabes ser, decidiste que ainda não tinha chegado a tua hora e que, dependendo de ti, ainda havias de dar luta.
e sei que é assim que estás, a dar luta. Por mais que mantenhas os olhos fechados quando te visito, por mais cansado e cabisbaixo que te veja sei que, no teu íntimo, não baixaste os braços. Tu lutas, eu sinto-o, mas é difícil, penosamente difícil, manter o espírito 24 horas por dia.
Não é pai? Porque para ti os dias são todos iguais, as horas correrm a um ritmo muito próprio, muito lentamente... demasiado lentamente, posso adivinhar. Dias e noites devem-se confundir na tua memória... o teu calendário deve ser muito peculiar. Imagino o que marcará a evolção do teu tempo... como é que ele corre, como o contabilizas?
Até as visitassão sempre as mesmas...
Nunca foste de grandes conversa mas, agora que não mais voltarás a falar, imagino que tudo seja mais doloroso... ninguém com quem desabafares o que te via na alma... Estás privado de grande parte da tua vida, da tua rotina. Não comes, não falas, não vês os teus amigos, não estás em tua casa... não sabes se isto vai passar ou não....
Eu acredito que ainda tens muito para contar. Eu cá vou estar, a ler-te nos lábios, como gosto de fazer.
Um beijo do tamanho do mundo, e doces sonhos, pai.

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12
Mar07

Relato de uma certa normalidade

por Inês P Queiroz
Agora quase que posso respirar...
O meu pai melhora, pouco, mas melhora.
Eu voltei ao trabalho e começo a decifrar as novas rotinas e hábitos das novas gentes com quem me cruzo.
O meu filho voltou a ficar doente...

Sinto-me novamente na gestão da minha conta corrente que é a minha vida.
Sem queixumes.
Às vezes é bom voltar a uma certa normalidade tranquilizadora.
Fazia-me falta.

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12
Mar07

Relato de uma certa normalidade

por Inês P Queiroz
Agora quase que posso respirar...
O meu pai melhora, pouco, mas melhora.
Eu voltei ao trabalho e começo a decifrar as novas rotinas e hábitos das novas gentes com quem me cruzo.
O meu filho voltou a ficar doente...

Sinto-me novamente na gestão da minha conta corrente que é a minha vida.
Sem queixumes.
Às vezes é bom voltar a uma certa normalidade tranquilizadora.
Fazia-me falta.

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09
Mar07

PENSAMENTO PÓS 8 DE MARÇO

por Inês P Queiroz
Por que raio não aproveitei a gastrectomia de há dois anos para fazer uma mudança de sexo?

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PENSAMENTO PÓS 8 DE MARÇO

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