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Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.


09
Out05

É o fim da picada

por Inês P Queiroz
São quase quatro da tarde de domingo, 9 de Outubro dia de eleições. A coisa está tão NEGRA aqui para as bandas de Lisboa que nem o tempo ajudou. Tudo puxa para que fiquemos em casa frente ao sofá a borregar em vez de exercermos o nosso suposto dever de cidadãos eleitores e responsáveis.
Que não se fique a pensar que não fui votar. Já fui. Mas a escolha era entre o mau e o pior...
Talvez devesse ter ficado no conforto do lar a brincar com o meu filhote em vez de me forçar a decidir entre a arrogância cosmopolita do Carrilho e a estupidez natural do Carmona.
Se ao menos a Bárbara fosse candidata.... sempre podia votar nela por andar bem vestida e dar beijinhos a todas as feirantes desta cidade.

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09
Out05

É o fim da picada

por Inês P Queiroz
São quase quatro da tarde de domingo, 9 de Outubro dia de eleições. A coisa está tão NEGRA aqui para as bandas de Lisboa que nem o tempo ajudou. Tudo puxa para que fiquemos em casa frente ao sofá a borregar em vez de exercermos o nosso suposto dever de cidadãos eleitores e responsáveis.
Que não se fique a pensar que não fui votar. Já fui. Mas a escolha era entre o mau e o pior...
Talvez devesse ter ficado no conforto do lar a brincar com o meu filhote em vez de me forçar a decidir entre a arrogância cosmopolita do Carrilho e a estupidez natural do Carmona.
Se ao menos a Bárbara fosse candidata.... sempre podia votar nela por andar bem vestida e dar beijinhos a todas as feirantes desta cidade.

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08
Out05

a razão de viver

por Inês P Queiroz

Nestes olhos reside tudo

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08
Out05

a razão de viver

por Inês P Queiroz

Nestes olhos reside tudo

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04
Out05

Medos

por Inês P Queiroz
Ver estapado nos olhos dos outros o medo que pensamos que só existir nos nossos é ago de estranho, triste e reconfortante. Estranho porque parece que nos estamos a ver reflectidos no outro e ver, com maior rigor, certas atitudes e comportamentos. Triste porque quem sente este medo, esta angústia que tolhe e nos deixa sem capacidade de resposta, deseja, no seu íntimo, que mais ninguém passe pelo mesmo. Reconfortante porque, se uma parte da nossa existência quer que este medo não seja partilhado com mais ninguém, há uma outra que se sente reconfortada, amparada na dor ao saber que não estamos sós.
Hoje fui ao médico. Consulta de rotina, uma das muitas que me esperam nos próximos anos. Aquele é um ambiente que já me é familiar. Acho mesmo que seria capaz de lá chegar de olhos fechados, percorrer aqueles corredores sem precisar de os olhar. Os cheiros, os sons... já estão cravados em mim.
Sentei-me. Vislumbrei algumas caras familares. Companheiros da dor. Cada um com a sua história, cada um com o seu medo. Entre sorrisos e palavras de conforto ficou um sentimento estranho, um mal estar generalizado que me percorreu o corpo e que ainda agora sinto.
No fundo, acho que desejo não pertencer aquela realidade. Estou ali mas não estou. Não ouso pertencer aquele grupo de pessoas que aprendeu a viver com uma doença tão grave. Não ouso ou não quero? Parte de mim recusa-se a pensar assim, daquela forma. Não quero que o cancro seja parte integrante de mim. Desejo apenas que seja uma passagem, um momento menos bom da minha vida. Estar ali sentada com aquelas pessoas faz-me duvidar desse estado transitório... tudo parece mais definitivo. O conformismo que vi estampado não o quero para mim.
Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de admirar pessoas que há vários anos lidam com a doença e, mesmo assim, prosseguem a sua vida com a maior normalidade possível.

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04
Out05

Medos

por Inês P Queiroz
Ver estapado nos olhos dos outros o medo que pensamos que só existir nos nossos é ago de estranho, triste e reconfortante. Estranho porque parece que nos estamos a ver reflectidos no outro e ver, com maior rigor, certas atitudes e comportamentos. Triste porque quem sente este medo, esta angústia que tolhe e nos deixa sem capacidade de resposta, deseja, no seu íntimo, que mais ninguém passe pelo mesmo. Reconfortante porque, se uma parte da nossa existência quer que este medo não seja partilhado com mais ninguém, há uma outra que se sente reconfortada, amparada na dor ao saber que não estamos sós.
Hoje fui ao médico. Consulta de rotina, uma das muitas que me esperam nos próximos anos. Aquele é um ambiente que já me é familiar. Acho mesmo que seria capaz de lá chegar de olhos fechados, percorrer aqueles corredores sem precisar de os olhar. Os cheiros, os sons... já estão cravados em mim.
Sentei-me. Vislumbrei algumas caras familares. Companheiros da dor. Cada um com a sua história, cada um com o seu medo. Entre sorrisos e palavras de conforto ficou um sentimento estranho, um mal estar generalizado que me percorreu o corpo e que ainda agora sinto.
No fundo, acho que desejo não pertencer aquela realidade. Estou ali mas não estou. Não ouso pertencer aquele grupo de pessoas que aprendeu a viver com uma doença tão grave. Não ouso ou não quero? Parte de mim recusa-se a pensar assim, daquela forma. Não quero que o cancro seja parte integrante de mim. Desejo apenas que seja uma passagem, um momento menos bom da minha vida. Estar ali sentada com aquelas pessoas faz-me duvidar desse estado transitório... tudo parece mais definitivo. O conformismo que vi estampado não o quero para mim.
Mas, ao mesmo tempo, não posso deixar de admirar pessoas que há vários anos lidam com a doença e, mesmo assim, prosseguem a sua vida com a maior normalidade possível.

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02
Out05

Dávida

por Inês P Queiroz
Há certos acontecimentos que nos fazem pensar na vida de uma nova perspectiva. De há uns meses a esta parte a morte tem-me acompanhado, pelo menos mais de perto do que seria suposto a uma pessoa da minha idade. Estar doente, lidar diariamente com uma realidade que nos aproxima do fim da vida não é agradável. Mesmo que essa aproximação não tenha necessariamente que se traduzir em realidade. No entanto, só o facto dela, da palavra, passar a fazer parte do nosso vocabulário de uma outra forma, faz com que a sintamos mais presente no nosso dia-a-dia. Volta e meia, mesmo nos momentos de melhor disposição ou de maior alegria, dou comigo a pensar como será se morrer daqui a um ou dois anos e na injustiça dessa ameaça que paira sobre a minha cabeça.
Estes pensamentos não são muito agradáveis mas eu tenho-os e, por vezes, é necessário algo de mais estraordinário acontecer para ter a noção de como tudo é relativo, de como estar doente não é uma sentença de morte e mais, como pessoas que, aparentemente, não tem nada que lhes limite a esperança de vida, se encontram com a morte. Foi o que aconteceu ontem. No regresso de uma festa deparei-me com um acidente de viação. Ali, bem à minha frente estava um corpo inanimado. Provavelmente morto. Um homem de capacete estava deitado no chão ao lado de uma enorme poça de sangue. Parecia morto. Parecia jovem. Pensei imediatamente em quem seria, quais seriam os seus sonhos, quem seria a sua família. E aí percebi o choque, o horror. O encontro com a morte não estava marcado mas, mesmo assim, aconteceu. Aquele rapaz ali deitado à minha frente, provavelmente não teve tempo para se despedir da vida. Não pôde fazer nada para contrariar a sua "sentença". Ela chegou e isso bastou. O ditado diz que a infelicidade dos outros não faz a minha felicidade mas, a verdade, é que nesse momento percebi a minha sorte. A mim foi-me dada a oportunidade de lutar pela vida, de me agarrar a ela com unhas e dentes. De mostrar o quanto estou empenhada em viver. E ali, naquele momento que não durou mais que três ou quatro segundos, senti-me feliz por essa oportunidade e dei-me conta da fragilidade que envolve a nossa existência. Tudo pode depender de uma fracção de segundo, de um instante.
Esta tarde, quando tive nas minhas mãos uma pequenita vida, voltei a pensar sobre o rapaz de ontem. Ter um bebé nos braços, ver toda aquela fragilidade mas, em simultâneo, toda aquela vitalidade e alegria ajuda a perceber como a vida é realmente uma dávida, algo a preservar.

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02
Out05

Dávida

por Inês P Queiroz
Há certos acontecimentos que nos fazem pensar na vida de uma nova perspectiva. De há uns meses a esta parte a morte tem-me acompanhado, pelo menos mais de perto do que seria suposto a uma pessoa da minha idade. Estar doente, lidar diariamente com uma realidade que nos aproxima do fim da vida não é agradável. Mesmo que essa aproximação não tenha necessariamente que se traduzir em realidade. No entanto, só o facto dela, da palavra, passar a fazer parte do nosso vocabulário de uma outra forma, faz com que a sintamos mais presente no nosso dia-a-dia. Volta e meia, mesmo nos momentos de melhor disposição ou de maior alegria, dou comigo a pensar como será se morrer daqui a um ou dois anos e na injustiça dessa ameaça que paira sobre a minha cabeça.
Estes pensamentos não são muito agradáveis mas eu tenho-os e, por vezes, é necessário algo de mais estraordinário acontecer para ter a noção de como tudo é relativo, de como estar doente não é uma sentença de morte e mais, como pessoas que, aparentemente, não tem nada que lhes limite a esperança de vida, se encontram com a morte. Foi o que aconteceu ontem. No regresso de uma festa deparei-me com um acidente de viação. Ali, bem à minha frente estava um corpo inanimado. Provavelmente morto. Um homem de capacete estava deitado no chão ao lado de uma enorme poça de sangue. Parecia morto. Parecia jovem. Pensei imediatamente em quem seria, quais seriam os seus sonhos, quem seria a sua família. E aí percebi o choque, o horror. O encontro com a morte não estava marcado mas, mesmo assim, aconteceu. Aquele rapaz ali deitado à minha frente, provavelmente não teve tempo para se despedir da vida. Não pôde fazer nada para contrariar a sua "sentença". Ela chegou e isso bastou. O ditado diz que a infelicidade dos outros não faz a minha felicidade mas, a verdade, é que nesse momento percebi a minha sorte. A mim foi-me dada a oportunidade de lutar pela vida, de me agarrar a ela com unhas e dentes. De mostrar o quanto estou empenhada em viver. E ali, naquele momento que não durou mais que três ou quatro segundos, senti-me feliz por essa oportunidade e dei-me conta da fragilidade que envolve a nossa existência. Tudo pode depender de uma fracção de segundo, de um instante.
Esta tarde, quando tive nas minhas mãos uma pequenita vida, voltei a pensar sobre o rapaz de ontem. Ter um bebé nos braços, ver toda aquela fragilidade mas, em simultâneo, toda aquela vitalidade e alegria ajuda a perceber como a vida é realmente uma dávida, algo a preservar.

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