Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Depois de um dia mau pode haver um céu estrelado. O meu reino.

03
Ago16

58 dias

por Inês P Queiroz

Passaram 58 dias desde a última vez que aqui escreveu. Não há um único motivo que me tenha impedido de aqui vir. É mais uma conjugação de fatores: trabalho, a operação do Henrique, as férias... e uma grande falta de vontade de me sentar a escrever.

 

Muitas coisas aconteceram nestes 58 dias. Algumas espetaculares (como a nossa viagem a Nova Iorque), outras nem por isso. Mas, resumindo, está tudo bem, está tudo normal. Estamos a gozar o verão (se bem que a trabalhar) e as férias da escola.

 

Pelo meio ficaram as minhas aulas de costura, o regresso às corridas (se bem que com muito pouca regularidade), o 40.º aniversário de uma amiga querida e muitas outras pequenas coisas que fazem a minha vida.

Pelo meio fica também um livro que me trouxe de novo para a leitura (a não profissional, pelo menos). Chama-se When breath becames air, um livro magnífico sobre a vida, a morte, a doença, a importância da vida e das pequenas conquistas mas também das grandes derrotas. Voltarei a escrever sobre este livro e o efeito que teve em mim mas, para já, gostava só de dizer que a sua leitura foi tão reveladora para mim que me atrevo a dizer que marcou um antes e um depois neste meu 2016.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

06
Jun16

Normalidade

por Inês P Queiroz

O Henrique já está em casa. Foram 4 noites chatas, de hospital, mas está tudo mais calmo. A Alice, que entretanto fez 3 anos e também ficou doente, também ela já está melhor. Olho para trás, para estas últimas duas semanas e nem acredito que já passaram. Pelo meio ficam os comentários de força (obrigada a todos), os muitos mimos de amigos e família. É impressionante como podemos receber força de onde menos esperamos. Melhores dias virão, tenho a certeza.

Autoria e outros dados (tags, etc)

31
Mai16

E o mundo a correr lá fora

por Inês P Queiroz

São seis e meia da manhã. Ouço os pássaros lá fora. Aqui ao meu lado o tique taque da maquineta do soro diz-me que o tempo continua a correr normalmente. Que está tudo bem. O facebook lembra-me de todas as polémicas do momento, de todas as barbáries que se cometem mundo fora. São seis e meia da manhã. Aqui está escuro. Tenho os pés inchados e as mãos dormentes. Este cadeirão é tão desconfortável que só não me deitei no chão por vergonha. Dizem que amanhã começa Junho, que já há sardinha assada e que o fim de semana já será de arraiais. Diz-me o calendário que em pouco mais de uma semana estaremos os três em Nova Iorque, a passear. Mas tudo isso me parece irreal, longínquo. A minha realidade está aqui, parada, à espera de acontecer lá fora. Pode ser que seja hoje.

Autoria e outros dados (tags, etc)

01
Abr16

Já acabou mesmo a semana?

por Inês P Queiroz

Nem acredito que é sexta-feira. Estou um caco, parece que fui atropelada, sugada... Se fosse fazer a lista de tudo o que não fiz nestes últimos dias desatava a chorar. O melhor é inspirar e expirar. Tentar afastar esta má onda...

Autoria e outros dados (tags, etc)

28
Mar16

28 de março

por Inês P Queiroz

Merda de dia. Mesmo. Mas não podia terminar sem me lembrar que hoje farias 65 anos. Se cá estivesses, pai, este teria sido um dia menos merdoso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

22
Mar16

A minha meia maratona

por Inês P Queiroz

Ainda estou a tentar digerir o facto de ter chegado ao fim da minha primeira meia maratona um mês antes do previsto. No ano passado, quando a Ana e a Sónia fizeram a sua primeira maratona, prometi-lhes que iria tentar fazer uma meia e inscrevi-me logo na de Madrid. No domingo quando comecei a correr não imaginava que pudesse acabar. Estava muito contente de ali estar. Primeiro no comboio com a Lina, minha amiga há mais de 20 anos e minha companheira em algumas corridas (se bem que ela é muito mais rápida do que eu). Depois, logo ali na partida com a Ana. Já tínhamos falado em fazer esta prova juntas. Na altura ela ainda não tinha a certeza se faria a maratona de Barcelona. Mas, depois de a ter conseguido terminar e de eu não ter conseguido o dorsal, achei que já não correríamos. Só que a vida é mesmo assim, está sempre a surpreender-nos e a Ana conseguiu o tão desejado dorsal e lá estava à minha espera, encostadinha do lado direito, como prometido, para corrermos lado a lado. Pensei que faríamos juntas a ponte e depois cada uma iria à sua vida. Estava enganada. Ela estava completamente artilhada para me acompanhar. Era o gel de frutos vermelhos, o de morango, a goma, mais a água e a bebida isotónica... "bebe isto, eu abro o gel. Agora a água". Nem queria acreditar.

Quando dei por mim já tínhamos passado o km 10 e eu continuava fresca que nem uma alface, feliz por estar ali. Foi a primeira vez que me senti tão acompanhada numa corrida e sei agora o que isso significa. Alguém que não arreda pé, que está ali para ser o nosso balão de oxigénio. Por sorte não me falharam as pernas (tive sempre medo que a ciática me traísse). E lá fomos, as duas, sempre lado a lado, a desfrutar o momento.

A minha intenção era chegar aos 15, 16 km no máximo. Fazer o meu treino longo mas com um ambiente de corrida oficial para me dar mais ânimo. Quando vi a placa dos 15 comecei a achar que era possível. Aos 17 tive a certeza que não ia querer desistir mas, mesmo assim, fui sempre muito prudente, com medo que me desse a travadinha e tivesse de parar. Enquanto corria cruzei-me com uma pessoa que, uma semana antes, tinha visto na corrida da APAV e não conseguia parar de pensar como a cabeça é uma coisa tramada. Durante essa corrida estive sempre a pensar em desistir e cheguei ao fim com a certeza de que a meia não era para mim. E, naquele momento, apenas uma semana depois e já com 12 ou 13 km nas pernas, eu estava fresquíssima e ultrapassei a Isabel da PJ (era este o nome na T-Shirt) com uma perna às costas.

À medida que os km passavam eu ia ganhando confiança e achando que talvez fosse mesmo possível eu chegar ao fim. Aos 20km deu-me a maluca e acelerei um bocadinho, mas sempre a medo, não fosse torcer um pé e esbardalhar-me no meio do chão. A magia aconteceu quando vi a meta. Aí não restaram dúvidas e larguei a chorar. Pensei na minha Sónia e em como gostaria que ela também ali estivesse. Estava mesmo muito emocionada pelo que tinha acabado de conseguir, mas mais ainda por não o ter feito sozinha. Foi a primeira vez que cruzei a meta ao lado de alguém que me é querido. E foi maravilhoso. Nunca terei palavras para agradecer à minha Pipoca nem o texto

que ela escreveu. Ainda em cima da meta, e numa zona proibida, estava a Lina, aka a Lebre, à nossa espera de braços abertos. Grandes mariquinhas que nós fomos!

Eu sei que foi apenas uma corrida. Nenhuma de nós inventou a roda ou descobriu a cura para uma doença incurável. Há, todos os dias, pessoas a fazer coisas muito mais importantes para os destinos da humanidade. Mas este foi o meu momento. Foi uma vitória, uma conquista assente numa coisa boa. E isso vale muito.

Agora é continuar, não desistir e chegar em forma à meia de Madrid a tentar acompanhar e minha lebre, Lina, com a bandeira do glorioso.

E sim, eu sinto-me a MAIOR!!!

ana e inês.jpg

IMG_5758.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

20
Mar16

Run, Inês, run!

por Inês P Queiroz
image1.JPG


O objetivo são 16km. Até hoje ainda não corri mais de 13. Queria muito participar nesta prova mas, por circunstâncias várias achei que tal não seria possível. Ontem à noite, graças à minha querida Ana e à generosidade de um amigo seu, estou perante este desafio. Espero não vos deixar ficar mal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

19
Mar16

Estás nas pequenas coisas

por Inês P Queiroz
image1.JPG


Hoje aqui, nesta almofada que bordaste para mim e que, por acaso, é a que está na cama. Tenho saudades, pai.

Autoria e outros dados (tags, etc)

20
Fev16

Parar e pensar

por Inês P Queiroz

Muito se tem dito sobre a morte de duas crianças que a própria mãe terá levado rio adentro. Muitas opiniões, extremadas, quase todas, sobre a mãe assassina, ou o pai molestador, ou ambos. Tudo muito à flor da pele. Eu resisti muito a ver e a escrever sobre o assunto. Sinto-me triste, vazia, revoltada. Tenho imensas perguntas a matraquear dentro da cabeça. Sinto pena misturada com raiva. Agarro os meus filhos ainda com mais força, encho-os de beijos e penso "a mãe nunca vos faria algo de semelhante." Tenho muita dificuldade em encontrar desculpa para o acto: uma mãe, supostamente, matou as suas filhas. Não há desculpa. É horrível, é demasiado absurdo e cruel. E durante algum tempo fico presa nesta angústia imensa, nesta raiva mal contida. Mas confesso que a minha maior ira vai para o sistema. Os que é suposto proteger vivem envoltos numa teia burocrática que só termina quando algo de mau acontece. Não sei se esta mãe era ou não vítima de maus tratos. Não sei se o pai abusou ou não das crianças. Mas dizem-me as notícias que a queixa foi feita e que as crianças estavam sinalizadas, termo pomposo que de nada serve. O que se passa neste país? Andamos todos a dormir? Situações de mulheres mortas pelos companheiros mesmo depois das queixas e das condenações por maus tratos são mato. Há uns meses, dois gêmeos de 3 anos foram apanhados num parque infantil, às duas da manhã, por um estranho que os levou para casa e chamou a polícia. Tudo gente sinalizada. Tudo gente esquecida. E o que fazem as autoridades? Como é que é suposto isto acontecer? Não se ver para além da superfície das coisas? Se a mãe mentia não viram? Se as crianças estavam sinalizadas e a mãe deprimida não se fez nada? Se o pai abusava não se avançou? Vivemos num país onde todos apontam o dedo, onde todos sacodem a água do capote quando a coisa aperta e o de todos gostam de um certo protagonismo mas sem grande responsabilidade.

O que eu realmente acho é que devíamos parar. Pensar. Ver o país que temos, a sociedade que construímos... E deprimir.

Autoria e outros dados (tags, etc)

16
Fev16

A festa

por Inês P Queiroz

Eu sou suspeita para falar, afinal a festa era minha.

Mas digo uma coisa: que festa! Adorei. Foi tão bom. Foi quase perfeito. Para ser a festa perfeita só ficaram a faltar meia dúzia de amigos e o meu irmão.

Confesso que entrei no ano com pouca vontade para festejos. Não por estar deprimida com a idade nem coisa que o valha. Mas porque estava a pensar na minha vida, no que queria, no que não queria... e depois confesso que também andava cheia de trabalho e sem grande motivação.

Mas bastou-me endireitar a cabeça, resolver o que havia para resolver aqui dentro desta caixa que é o meu cérebro e foi ver a vontade a chegar. Primeiro com o tema: fazendo anos perto do Carnaval nada melhor do que uma festa temática. E com a ajuda do marido e de um grupo de amigas saiu esta coisa preciosa: galdérias e fardas.

Estava dado o mote. Ainda achei que haveria muita gente que não se ia mascarar... puro engano. Estão a ver uma festa espectacular, com malta mascarada e muito boa disposição? Foi a minha. A forma perfeita de entrar nos 40, rodeada de muitos dos que amo: da minha amiga mais antiga à minha mãe, passando pelos maluquinhos das corridas, seu para tudo.

E as fardas, perguntam vocês? Houve de tudo: polícias, enfermeiras, galdérias, rameiras, piratas, índios, freiras e hospedeiras... que loucura.

Deixo aqui uma foto, a minha. Amanhã prometo deixar mais. As que se podem publicar, claro está.

Para o ano acho difícil, mas não sei se aguento até aos 50 sem fazer outra destas.

12741961_10154037792874925_4838588242629252229_n.j

Autoria e outros dados (tags, etc)

05
Fev16

Uma semana

por Inês P Queiroz

Nem parece meu, que sou pessoa dada a festas, não andar por aqui num virote com os meus 40 anos. São já daqui a uma semana, vai haver festa da rija. Mas a verdade é que tenho andado tão ocupada com outras coisas que só ontem entrei no espírito. Tenho muito pouco tempo e muita coisa para fazer e para organizar.

Já tenho espaço

Já tenho tema já tenho DJ e barman

Falta-me a fatiota, escolher o que se vai comer, comprar comida, bebida, decorações e fatiota.

Também me falta pedir a alguns amigos que levem comes.

Xinapá, estou tramada, essa é que é essa.

Ou me ponho a mexer ou esta festa será um flop de organização.

Autoria e outros dados (tags, etc)

05
Fev16

A amizade

por Inês P Queiroz

O verdadeiro amigo não julga, não toma partidos, não se precipita. Não menospreza a dor do outro, por mais ridícula que lhe possa parecer. Não é sobranceiro no seu olhar. Não dramatiza. O verdadeiro amigo simplesmente existe. É uma segurança. É a rede do nosso trapézio. É muito bom percebermos que somos isto para alguém. É ainda melhor percebermos que temos disto na nossa vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

08
Jan16

Vamos lá a festejar 2016

por Inês P Queiroz

Muito trabalho, muitas coisas feitas, outras tantas por fazer. Muitas noites a dormir pouco e a pensar demais. O natal já era, o reveillon também. Agora há que arregaçar as mangas a viver para a frente. Tenho para mim que este ano vai ser marcante. Por bons e maus motivos. Já fiz algumas resoluções que espero ter a coragem de cumprir. Pequenas coisas, que só dependem de mim. Pequenos grandes passos quue farão de mim uma pessoa mais satisfeita e por isso, espero, mais feliz. Para já vou concentrar-me nos meus 40 anos. Falta pouco mais de um mês. Quero comemorar. Quero divertir-me e assinalar esta data. Quero estar rodeada dos meus velhos e novos amigos. Vai ser uma trabalheira do caraças, já sei. Mas vai ter de ser. Um bom ano para todos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

18
Dez15

Para parar e pensar

por Inês P Queiroz

Este é um vídeo aterrador, que nos deveria fazer pensar a todos: não apenas pais, não apenas pais de raparigas. Mas a todos. Todos os que dizem piadas ofensivas sobre miúdas, todos os que as ouvem sem dizer nada, todos os que não re+rimem os filhos quando o fazem... Todos os que continuam a pensar que a culpa é delas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

18
Dez15

Prendas de Natal #1

por Inês P Queiroz

Faltam tantas que tenho um misto de medo e vergonha de as contar... Todos os anos, mais ou menos desde que o meu pai morreu, é a mesma coisa: prometo a mim mesma que vou voltar a adorar o Natal, a planear as ementas e as prendas com antecedência, a tratar das decorações, das bolachas e tal... e todos os anos acontece o mesmo: a uma semana do Natal ando neste misto de tristeza e azáfama. Sinto-me sugada em vez de feliz, cansada, sem ânimo. Mas a tentar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

18
Dez15

LOL

por Inês P Queiroz

Já eu sou a melhor a furar os meus dedos...

Autoria e outros dados (tags, etc)

18
Dez15

Do cansaço

por Inês P Queiroz

Ando tão mas tão cansada que costurei um dedo, num dos meus serões a fazer prendas de Natal. E ainda não levo nem metade dos dois meses que vou estar sem empregada...

Autoria e outros dados (tags, etc)

14
Dez15

O Porto

por Inês P Queiroz

Sou uma apaixonada pelo Porto. Em pequena, atravessar a ponte da Arrábida significava que já só faltava uma hora para chegar "à terra". Só adulta percebi verdadeiramente o seu encanto. A Foz, a Ribeira, a Baixa, a Rua das Flores... Há sempre tanto a ver. Na sexta-feira tive de ir ao Porto em trabalho. Confesso que estas deslocações rápidas, perto do Natal, numa altura em que acuso o desgaste de um ano de trabalho e em que os miúdos se ressentem das minhas ausências, nunca sao vividas com grande entusiasmo. Mas desta vez fui pelo menos com tempo para um passeio a pé. Almocei (às 16h) numa esplanada, comprei lã, tecidos e pinhões e tive tempo para estar comigo. Desta vez troquei o hotel manhoso por um b&b espetacular. A Casa Carolina, na rua de Cedofeita. Aconselho a todos. Uma casa bonita, com quartos espaçosos, limpos e quentinhos. Adorei. Fiquei com alguma pena de não ter ficado o dia de sábado para ir às compras, mas lá está, a família estava à espera. E a receção foi espetacular. Mas não tarda voltarei. A dois.

image.jpg

image.jpg

image.jpg

image.jpg

.

Autoria e outros dados (tags, etc)

11
Dez15

Ainda a maldade

por Inês P Queiroz

Pergunto-me o que leva alguém a deixar comentários odiosos no blogue de outra pessoa. A sério. É pura maldade? Inveja? Falta de ocupação? Desamor pelo próximo? Não estou a falar de comentários em blogues que defendam ideias que atentem contra liberdade. Estou a falar de blogues de pessoas normais, que falam da sua vida, do que as apoquenta, dos seus sonhos, dos seus filhos, do seu dia a dia... Poderão sempre dizer-me que quem anda à chuva molha-se e que quem expõe a sua vida está depois sujeito a este tipo de reações. Mas, desculpem-me, não consigo concordar. A meu ver não há nada que justifique o grau de ódio, de veneno, de maldade que existe em muitos dos comentários que por aí pululam. Eu tenho este espaço que surgiu como uma escape a um momento mau da minha vida. A minha doença. Por norma tenho mais tendência para escrever quando estou triste do que quando a vida me corre de feição. Mas isso abre a porta a um tipo de exposição que nem sempre estou disposta a fazer. E por isso acabo por escrever pouco. A maior parte das pessoas que conheço na blogosfera costuma falar de um lado mais solar da sua vida. E o facto de o fazer não significa que tudo seja bonito e cor de rosa. Todas as pessoas têm problemas. Há pessoas que atravessam grandes dificuldades, claro, e que têm problemas que nem sequer imaginamos. Mas duvido que essas percam tempo em blogues a acusar outros por serem felizes ou por exporem o seu bem estar. Essas pessoas estão ocupadas a tentar ultrapassar as muitas dificuldades que atravessam. Têm lá tempo para andar a maldizer a vida dos outros. Mas não são essas as pessoas que, por norma, envenenam. Quem o faz, quer-me parecer, são os que adoram passar a pente fino todos os blogues ditos pessoais para ficarem a conhecer a vida de alguém que nunca viram na vida. E não o fazem com o espírito de "deixa-me lá ver em que embrulhada anda a Sónia metida", ou "Será que o o Mateus está bem". Nada disso, estas pessoas maldosas não querem espreitar a vida dos outros para a seguir como uma novela fazendo um ou outro comentário, tentando dar conselhos ou opiniões. Esse tipo de coisas quem faz são as pessoas queridas, aquelas que se sentem próximas, que se identificam, que desejam o bem, que gostam que os outros usufruam de uma boa vida, mesmo que seja um vida que não podem ter. Estas pessoas más, vis, mesquinhas, andam pelos blogues para tentar preencher um qualquer vazio que vivem. E conseguem dizer as coisas mais maldosas e impensáveis. Desejam a morte, criticam violentamente tudo que é escrito, qualquer opinião, qualquer roupa, qualquer iniciativa. Têm sempre um rol de insultos pronto a ser libertado a cada post. Para essas pessoas as bloggers são umas meretrizes que têm a desfaçatez de expor a sua vida burguesa quando há pessoas a morrer à fome. E se, pelo contrário, as bloggers se manifestam preocupadas com um qualquer problema, são igualmente rameiras porque são fingidas. Já para não falar do ódio pelas viagens, pela roupa, pelas casas, pelos filhos, pelos maridos... Por tudo, na verdade. Como é que têm tempo para isso? Como é que se dão ao trabalho de perder tempo a odiar quem não conhecem? É coisa que me faz muita confusão, confesso. Eu que me queixo frequentemente da falta de tempo, não consigo perceber como há quem o tenha em sobra, para se dedicar a isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

10
Dez15

Pessoas más

por Inês P Queiroz

Pessoas más, eu sei que deve ser do caraças dar de caras com pessoas de bem com a vida.

Com pessoas felizes, que querem fazer coisas, que se interessam pelo seu trabalho, pelo bem estar da sua família, que ainda têm tempo para iniciativas de solidariedade e para os amigos.

Pessoas que correm, que fazem vendas solidárias, que riem e choram, que viajam, que vão ao teatro e ao cinema, que jantam com os amigos...

Deve ser cansativo e , sobretudo fodido ver que há pessoas felizes.

Mas a vida é mesmo assim: fodida. E há que esgravatar muito para ver a luz e para ser feliz apesar de toda a merda que se vive, apesar de todos os pesares.

Vocês acham, pessoas más e merdosas, que as pessoas que estão de bem com a vida, e que partilham isso nos seus blogues, não têm momentos maus? Não têm momentos infelizes? Não têm vontade de bater nos filhos, de matar os maridos? Não se sentem frustradas? Não perdem amigos e familiares? Não se zangam? Não se separam? Não choram? Não têm dores?

Têm, ou vocês, apesar de pessoas más, também são estúpidas? O que vos distingue das pessoas felizes é essa aura de merda que vos acompanha. Esse ver apenas o lado escuro, o copo meio vazio que tanto vos martiriza. Deve ser muito fodido chegar ao fim do ano e ver que este foi mais um ano merdoso, em que nada de realmente importante aconteceu. Mas sabem uma coisa? Em vez de irem para os blogues dos outros destilar veneno e inveja, olhem para vocês e façam alguma coisa pela vossa vida.

E já agora, se tiverem dinheiro, façam também terapia.

Apre!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Calendário

Agosto 2016

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2007
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2006
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2005
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D